EXCLUSIVO: escritor paulista comenta passagem dos 20 anos do “Massacre de Corumbiara”

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João Peres lanço o libro no mês passado

João Peres lançou o livro no mês passado

Via redes sociais, o jornalista e escritor João Peres (no centro da imagem, com camisa branca), que no mês passado lançou o livro “Corumbiara – caso enterrado” falou sobre o que lhe motivou a pesquisar sobre o assunto, além de falar sobre o “esquecimento” em que o episódio estava relegado até então.

Em breve entrevista ao Extra de Rondônia, Peres revela suas impressões acerca da história, ao passo em que prossegue com investigações e tentativas de colher mais depoimentos de pessoas envolvidas no acontecimento.

Nesta segunda-feira, 10, o jornalista conseguiu mais um feito importante: pela primeira vez em todo este tempo o atual senador e governador na época do episódio, Valdir Raupp, falou sobre o incidente (veja no link no rodapé desta matéria). Abaixo, as entrevista com João Peres:

Extra de Rondônia: O que lhe despertou interesse em escrever sobre o Massacre de Santa Elina – uma das denominações do episódio tema do seu livro?

João Peres: Em 2011, entrevistei Claudemir Gilberto Ramos, sem-terra condenado onze anos antes pelo massacre de Corumbiara. Ele não aceitou a pena de oito anos e meio de reclusão e está foragido até hoje. Seguimos em contato durante mais algum tempo, até que decidi percorrer Rondônia para saber um pouco mais. Inicialmente, iria apenas uma vez, para entender superficialmente a questão, mas logo me dei conta de que precisaria visitar o estado mais vezes e me aprofundar naquela apuração. Disso resultou Corumbiara, caso enterrado.

Extra: Você acredita que sua iniciativa pode representar uma mudança na forma como o acontecimento tem sido tratado por todos, sem muito interesse em esclarecer pontos obscuros e relegando o massacre ao esquecimento?

Peres: A verdade é que a reação ao livro tem sido surpreendente. De maneira positiva. Já sabíamos que estávamos preenchendo uma lacuna ao escrever um livro no formato de reportagem sobre um episódio tão importante e tão esquecido. Mas não imaginávamos que rapidamente o trabalho se transformaria em um instrumento para aqueles que desejam recordá-lo, tirá-lo da vala da ocultação. A data que marcou os vinte anos, no último domingo, foi significativa nesse aspecto. A mídia de alcance nacional ignorou totalmente o episódio. Não fosse pelo livro, um caso com doze mortes e muitos absurdos teria passado totalmente batido para além das divisas de Rondônia. Espero que daqui por diante muito mais gente se interesse por abordar essa história, estudá-la, aprofundar o nosso livro: sempre sou muito claro ao dizer que não fiz um trabalho definitivo, que ainda há pontos a explorar.

Extra: Diante de tudo que apurou e concluiu, ainda é preciso que se faça justiça plena com relação aos envolvidos?

Peres: Esta é uma resposta difícil. Há várias abordagens possíveis. A essa altura, do ponto de vista judicial, é impensável qualquer mudança. Os interesses em torno do caso estão totalmente sedimentados. Mas, se pensarmos na justiça como algo mais amplo, ou seja, como a construção da história que ficará para as próximas gerações, ainda há tempo. Para isso, é fundamental que aquelas pessoas que mantiveram silêncio até agora entendam que têm um dever com a nossa sociedade. É fundamental que elas falem, ainda que isso possa lhes parecer prejudicial.

Leia no link a versão de Raupp para o acontecimento:

http://editoraelefante.com.br/corumbiara-raupp-quebra-silencio-mas-nao-responde-a-questoes-chave/

 

Fonte: Extra de Rondônia

Foto: Arquivo Pessoal