Coluna Cego, Surdo e Mudo / Foto: ilustrativa

*** DEGOLA

A semana começou e terminou muito agitada em Vilhena. Na segunda-feira, a “degola” de funções gratificadas, cargos comissionados e “portariados” da prefeitura de Vilhena, pegou muita gente de calça curta logo cedo. Na mesma noite, aconteceu Audiência Pública da CPI da Energisa promovida pela Assembleia Legislativa, também criado um fato político importante.

 

*** CRISE AGUDA NO PARLAMENTO

Na terça-feira, a sessão da Câmara de Vereadores de Vilhena alimentou o noticiário semanal com a apresentação de uma proposta de mudança da Lei Orgânica do Município, sugerindo o aumento do número de cadeiras no Parlamento dos atuais 13 para 15. Esse assunto acabou criando o fato que fechou a semana com mais polêmica: uma crise aguda no Poder Legislativo.

 

*** DEU A CANETADA E SUMIU

São acontecimentos importantes, que merecem ser avaliados com mais profundidade. Então, começando pela “canetada” do Japonês, pode-se dizer que foi uma ação extrema tomada sem o menor tato, que deve desgastar o prefeito junto ao funcionalismo. Isso porque a medida aconteceu de surpresa, e para piorar foi feita às vésperas de uma viagem do mandatário, o que causou a impressão que ele não quis ficar por aqui para “segurar o rojão”. A edição do Diário Oficial de Vilhena de terça-feira, 5, confirma algumas das exonerações (leia AQUI).

 

*** O LADO MAIS FRACO

Assim, a bomba acabou explodindo no colo do adjunto da Secretaria Municipal de Administração, pois o titular da pasta também não estava na cidade, que acabou sendo o mensageiro da má-notícia aos servidores. Não foi tarefa fácil anunciar redução salarial para tanta gente justamente nesta época, quando as pessoas estão se planejando pro fim do ano. Usando uma gíria antiga, o Japa acabou ficando com o “filme queimado” com um bocado de pessoas.

 

*** NADA DE CONCRETO

Ao resolver interiorizar suas audiências, a CPI da Energisa acertou na ideia, mas capengou na execução. A coisa foi muito mal divulgada, o local da reunião foi mudado horas antes do início da reunião, e o povo não estava sabendo exatamente qual era o objetivo da ação. O que os deputados almejavam era captar demandas alicerçadas por documentos comprobatórios, mas o povão queria mesmo era reclamar.

 

*** NADA DE CONCRETO II

Em resumo, muita gente se inscreveu para participar, a maioria usou o tempo disponível para falar mal da empresa, mas ficando apenas na retórica sem atender ao que a CPI precisa: provas e documentos. A rigor, foram muitas horas de bastante conversa, mas a Comissão saiu de Vilhena com apenas três casos materializados para agregar ao que já tinha coletado. Muito gasto para pouco resultado.

 

*** O QUE FAZ O PROCON?

Durante os trabalhos da CPI ficou muito claro que é preciso ter casos evidentes de abusos contra o consumidor, com provas documentais, para que se possa tomar alguma medida acerca da companhia de energia. Também foi dito que há mais de três mil ocorrências registradas no Procon contra a Energisa. Então fica a pergunta: com esse volume de procedimentos oficializados ainda precisa mais?

 

*** HARMONIA?

Agora, a controvérsia que implodiu a tão propalada harmonia interna da Câmara de Vereadores de Vilhena: a tal proposta de aumentar o número de vagas no Poder Legislativo. Pode-se dizer que foi um enorme barulho provocado por estrondosa falta de habilidade (ou foi premeditado?) do presidente Ronildo Macedo (PV). Isso porque, já de cara, ele deveria ter tomado a palavra na sessão ordinária de terça-feira, 5, em que foi lida a proposta, para dizer que era apenas uma sugestão, que teria que ser avaliada, discutida e só então decidida. Não o fez, e acabou acendendo um rastilho de pólvora que acabou gerando a explosiva Nota de Repúdio contra Rafael Maziero (leia AQUI).

 

*** ORIENTAÇÃO SUICIDA

Por outro lado, comenta-se (nada confirmado) nos bastidores do próprio Legislativo que a intenção de levar adiante o item da proposta “aumento de vereadores” partiu de um(a) assessor(a) que tem pretensões políticas e que a ideia era realmente provocar a controvérsia, a fim de que a revolta atingisse os parlamentar. Se realmente foi essa a finalidade, o tiro foi certeiro.

 

*** DISCÓRDIA NO SEIO DO PARLAMENTO

Por fim, analisando a Nota de Repúdio, percebe-se que Ronildo agiu de forma intempestiva. O documento – assinado apenas por ele, mas usando o termo “vereadores” no texto, dando a entender que a repulsa era coletiva – acabou incluindo o próprio Suchi no caldeirão, algo que de fato não ocorreu. Isso criou uma situação bem complexa, que lança a semente da discórdia no seio do Parlamento, e deve dar muito pano pra manga na próxima sessão ordinária de terça-feira.