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Foto: Ilustrativa

Será difícil o Flamengo repetir um ano tão glorioso quanto 2019 tão cedo em sua história. Ao longo da história do esporte, vê-se inúmeros times que após se tornarem multicampeões em uma temporada anterior, falharam miseravelmente em repetir tais feitos no ano corrente apesar de terem conseguido manter várias das peças chave que foram vitais para a conquista dos troféus em questão no passado.

No caso do Flamengo, as expectativas em torno do time ainda são grandes. Na casa de aposta Betfair, que inclui a listagem das chances dos times brasileiros em levantarem o caneco do Brasileirão este ano, o mesmo é tido como favorito ao título do campeonato. De fato, o time se encontra bem à frente do Palmeiras e do Grêmio – respectivamente segundo e terceiro favoritos ao troféu – nas chances listadas pela casa.

Mas cumprir tais expectativas não é missão fácil. Ainda mais considerando que o Flamengo ainda sente claramente a falta do ex-comandante Jorge Jesus e seu “pulso firme” que regia com o vigor necessário toda o elenco do time carioca. Ainda que o novo técnico, Domènec Torrent, esteja fazendo o possível para que a transição entre o velho e o novo esquema seja a mais tranquila possível, mudanças não são conhecidas por chegarem a um estado de equilíbrio tão facilmente.

E não se pode culpar Domènec por não tentar fazer de tudo para não só acomodar o Flamengo aos seus planos de jogo, mas também para que ele possa se adaptar ao Brasil. Enquanto Jesus teve mais de um mês para chegar ao país, observar o elenco e a partir daí começar a implementar seu método vencedor que levou o time ao título do Campeonato Brasileiro e também da Copa Libertadores, Domènec foi jogado ao palco pouco mais de uma semana após sua contratação – e já sofrendo derrota logo após a sua chegada em jogo contra o Atlético Mineiro.

Aqui vê-se uma marca clara da diferença enorme entre a cultura de trabalho no futebol brasileiro e no futebol estrangeiro, o que inclui até mesmo o esporte quando praticado nos Estados Unidos – de forma muito mais tardia do que no Brasil. No Brasil, estamos acostumados com o que chamam lá fora de “plug and play” – “plugar e jogar”, na tradução literal. Isso significa que técnicos que aqui chegam para substituir colegas de trabalho em um curto espaço de tempo, são esperados a trazer resultados quase que imediatamente após sua chegada. Não há tempo para adaptação, e tão somente para julgamentos.

Já no futebol estrangeiro, tem-se uma nuance muito mais paciente e perceptível da necessidade de adaptação ao novo técnico não só ao novo time e elenco, mas até mesmo ao país onde ele se encontra. Não por menos que a Europa mantém a prática de pré-temporada, pois a mesma serve para aclimatizar jogadores ao intenso ritmo físico que o esporte impõe, ao mesmo tempo que permite que o técnico desenvolva e implemente suas ideias no elenco – seja ele novo, ou não.

Assim as circunstâncias da chegada de Jorge Jesus foram totalmente propícias para que seu sucesso fosse alcançado. Afinal o mesmo teve o “luxo” de uma pré-temporada que muitos outros técnicos como ele não possuem no Brasil.

A consequência foi clara: dois títulos após menos de um ano de trabalho, uma batalha acirrada pelo título do Mundial de Clubes contra o campeão europeu Liverpool que foi perdida somente na prorrogação, e a culminação do projeto de longo prazo do Flamengo de eliminar boa parte de suas dívidas e tornar-se um dos poucos “bons pagadores” do futebol brasileiro.

Infelizmente Domènec não contou com esse luxo. Mas aos trancos e barrancos, o técnico espanhol tenta triunfar ao mesmo tempo que recupera o Flamengo e seu status de favorito ao título, e também se adapta ao clima do país. É um trabalho hercúleo, mas necessário caso o mesmo queira se estabelecer como uma figura ao nível de Jorge Jesus não só no Brasil, mas também lá fora.

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