Imagens de satélite em Vilhena / Foto: Extra de Rondônia

O vendaval de granizo que caiu na tarde deste domingo, 4, e que assustou os moradores de Vilhena, na região sul de Rondônia, gerou prejuízos no município.

O fenômeno atmosférico arrancou árvores pela raiz, derrubou placas, outdoors, fachadas de lojas, coberturas de barracões e prédios e provocou alagamentos (leia mais AQUI).

Com exclusividade para o Extra de Rondônia, Daniel Panobianco, da agência PDRadar, através de informações coletadas via Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), analisou, de forma técnica, o fenômeno que marca o término da estação da seca na Amazônia.

Panobianco explicou que a queda da pressão atmosférica atrelada às altas temperaturas permitiu a formação de núcleos convectivos (nuvens muito carregadas) bastante desenvolvidos na tarde de domingo entre o Oeste de Mato Grosso e o sul de Rondônia.

Em Vilhena, o temporal acompanhado de granizo e ventos fortes, com características de um downburst, provocou destelhamentos de construções, quedas de árvores e rompimentos de cabos.

O granizo atingiu dimensão significativa, com até três centímetros de diâmetro, pelas imagens analisadas pela agência PDRadar e por isso, automóveis tiveram danos em latarias.

Informou que a estação meteorológica automática mantida pelo Inmet na zona oeste da área urbana (terreno da Conab), aferiu rajada máxima de vento de 18,6 m/s, o que equivale a 66,9 km/h, além de precipitação acumulada de 22,8 milímetros.

A temperatura despencou de 35,5°C para 18,9°C em apenas 60 minutos e a pressão atmosférica caiu de 947,2 para 943,8 hPa, também em apenas uma hora.

Vale lembrar que os bairros mais afetados pelo temporal estavam mais distantes da estação do Inmet e por isso, as rajadas de vento foram bem mais intensas.  Quanto maior a queda da pressão atmosférica, maior a tendência de instabilidade, com correntes ascendentes de ar e que acabam gerando nuvens carregadas, as cumulonimbus.

Imagens de satélite mostraram topos de nuvens cumulonimbus com até -70°C de temperatura / Foto: Daniel Panobianco

Panobianco disse que, em Vilhena, as imagens de satélite mostraram topos de nuvens cumulonimbus com até -70°C de temperatura de topo de até 12 mil metros de altitude.

A refletividade estimada sobre a região chegou a escala máxima de 55 dBz (decibéis), valor compatível com tormentas, típicas deste período de transição (da estiagem para a chuvosa).

Imagens gravadas por moradores mostraram um clássico downburst, quando os ventos da tempestade sopram de forma radial, ou seja, na horizontal, diferente de microburst, quando a rajada de vento sopra na vertical, vindo direto da base da nuvem para a superfície podendo gerar danos compatíveis com estragos relacionados à tornados.

“A previsão do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) é de que novas tempestades possam ocorrer na região de Vilhena ao longo desta semana, principalmente entre terça (06) e quarta-feira (07)”, alertou ao Extra de Rondônia.

A refletividade estimada sobre a região chegou a escala máxima de 55 dBz (decibéis) / Foto: Daniel Panobianco

 

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