Ministro da Saúde Eduardo Pazuello / Foto: Gabriela Biló/Estadão

O Ministério da Saúde planeja o “dia D e hora H”, ou seja, o começo da vacinação contra a covid-19 no País em um evento no Palácio do Planalto, apesar de o próprio presidente Jair Bolsonaro afirmar que não pretende ser imunizado.

A ideia é realizar na próxima terça-feira, 19, data em que governadores devem estar em Brasília para participar de reunião com o ministro Eduardo Pazuello. “Brasil imunizado, somos uma só nação”, é o slogan planejado para a cerimônia, que ainda não foi confirmada.

A proposta é vacinar uma pessoa idosa e um profissional de saúde. O Palácio do Planalto afirma que ainda não há cerimônia prevista, mas o assunto está em discussão no Ministério da Saúde, com o aval do ministro Pazuello.

O evento também tem como objetivo a estratégia de evitar que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seja protagonista na primeira foto de alguém sendo vacinado no País. O início da imunização tornou-se uma queda de braço entre Bolsonaro e o tucano, que há mais de um mês anunciou o início da imunização em seu Estado no dia 25 de janeiro.

A definição de uma data pressionou o governo federal a correr para não ficar para trás e tentar evitar que Doria, adversário político de Bolsonaro, lucre politicamente com o episódio.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, chegou a dizer, em dezembro, que o governador tucano brinca com “a esperança de milhares de brasileiros” ao prometer a campanha nesta data. “Senhor João Doria, não brinque com a esperança de milhares de brasileiros. Não venda sonhos que não possa cumprir, prometendo uma imunização com um produto que sequer possui registro nem autorização para uso emergencial”, disse Franco.

Apesar de ainda não ter batido o martelo sobre uma data para a vacinação em todo o País, Pazuello tem dito que, na melhor hipótese, começa em 20 de janeiro. Para isso, a expectativa é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove no domingo, 17, o uso emergencial das vacinas que serão entregues no Brasil pela Fiocruz (o modelo de Oxford/AstraZeneca) e do Instituto Butantã (Coronavac). Em evento em Manaus na segunda-feira, 13, porém, o ministro afirmou que a data será “no dia D e hora H”, frase que virou motivo de piada nas redes sociais.

A ideia do ministério é ter pelo menos 8 milhões de doses disponíveis ainda no fim de janeiro para a vacinação, sendo 2 milhões de Oxford/AstraZeneca, que estão sendo importadas da Índia, e 6 milhões da Coronavac, já armazenadas pelo Butantã. No total, Pazuello afirma que o País terá 354 milhões de doses em 2021, sendo que a imunização exige duas aplicações.

O governo federal é cobrado para antecipar o calendário de vacinação contra a covid-19, além de garantir insumos como agulhas e seringas. Bolsonaro, porém, já afirmou que não irá se vacinar contra a covid-19. Ele também não estimula o uso do imunizante e chega a fazer consultas informais entre seus apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, para mostrar que parte da população deve segui-lo. Pelas suas contas, metade da população não irá se vacinar.


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