Hospital Regional de Vilhena / Foto: Divulgação

Através da assessoria de imprensa, a direção do Hospital Regional de Vilhena se manifestou a respeito do episódio ocorrido na noite deste sábado, 11, quando uma família denunciou profissionais de saúde após uma mãe ser intubada e um médico teria dito que avisaria quando ela morrer.

O caso gerou repercussão na cidade e o diretor da unidade disse ao Extra de Rondônia que só se manifestaria após a divulgação da matéria (leia mais AQUI).

Na nota, a equipe médica garante que, após a necessidade de internação na Central da paciente, foi tentado contato com a família cinco vezes no telefone informado e que não obteve resposta. Os médicos lembram ainda que os procedimentos médicos são decisão dos profissionais de saúde conforme os exames realizados e que não dependem de aprovação de familiares.

Ressalta ainda que a família invadiu o hospital, chutou portas, ameaçou profissionais, ofendeu as equipes e fez ameaças de promover “quebradeira caso a paciente venha a óbito”.

>>> LEIA, ABAIXO, A NOTA NA ÍNTEGRA:

 

Na quinta-feira, dia 8, mesmo com resultado negativo, a paciente de 77 anos foi internada na Sala Azul do Hospital Regional de Vilhena (HRV), pois sua oximetria estava em 90 (o ideal é acima de 95), indicando problema respiratório. Nenhum médico deu alta à paciente.

Na madrugada da sexta-feira, dia 9, houve piora no quadro e o médico de plantão, através de análise clínica (dos sintomas), informou à família que ela deveria ser isolada, por meio de internação na Sala Amarela, destinada para pacientes leves. Na manhã do dia 9 foi realizado novo teste para covid-19, que atestou positivo, confirmando a análise clínica de covid-19 feita pelo médico na madrugada.

No sábado, dia 10, a piora no quadro da paciente forçou sua transferência para a Central de Atendimento à Covid-19. Assim, a equipe médica procurou por cinco vezes a família, através de dois enfermeiros diferentes, fazendo ligações no número informado. Porém, não foi possível contato e a paciente foi transferida para a Central. Lá foi utilizada a máscara de VNI (ventilação não-invasiva) para garantir a oxigenação na paciente e buscar alternativas à intubação. Às 17h, conforme acontece todos os dias, os médicos da Central conversaram com a família da paciente na passagem do boletim, informando o estado delicado, porém estável, da paciente na VNI.

No entanto, cerca de 30 minutos após isso, a paciente apresentou repentina piora no quadro Sua saturação foi registrada em 57% (o ideal é 95 ou mais) e a gasometria, que mede a quantidade de oxigênio no sangue, estava em 31% (o ideal é 80 ou mais). A avaliação médica exigiu imediata intubação para garantir a vida da paciente, caso contrário a falta de oxigênio no cérebro e órgãos vitais causaria evolução à parada cardiorespiratória com consequente óbito. Conforme a própria família diz, às 18h foi informada sobre a intubação, que acabara de ocorrer.

Em Vilhena, a equipe médica informa aos familiares de maneira presencial sobre o estado dos pacientes todos os dias às 17h na Central. Em outros locais essa informação é prestada apenas por documento ou por telefone. Aqui, no entanto, em atenção à necessidade de mais dúvidas dos familiares, os profissionais se revezam no atendimento dos pacientes para investirem cerca de uma hora em conversa com os familiares.

A família promoveu cenas lamentáveis na unidade hospitalar, chutando portas, gritando, ofendendo médicos, enfermeiros, recepcionistas e membros da direção, ameaçando agredir profissionais e promover “quebradeira na Central caso a paciente venha a óbito”, sendo acalmada pela presença da Polícia Militar, chamada pelo hospital. Devido a isso, a equipe médica assinou documento conjunto de “quebra de vínculo”, conforme explicita o Código de Ética Médico, Resolução CFM 1931/2009, em seu artigo 36. Outros profissionais foram providenciados pela direção do hospital para dar seguimento normal ao atendimento da paciente e, ao mesmo tempo, o hospital busca junto à CRUE (Central de Regulação de Urgência e Emergência) a transferência da paciente para outra unidade hospitalar do estado.

Os médicos lembram que o objetivo e dever dos profissionais de saúde é salvar vidas e por isso o melhor tratamento disponível no momento será utilizado, independente da opinião ou comunicação de familiares. Ressaltam ainda que quanto mais tempo os profissionais de saúde estiverem disponíveis para responder e conversar com parentes, menos tempo eles estarão dando assistência aos pacientes, de fato. Assim, todas as informações são passadas somente uma vez por dia, de maneira presencial, conforme relatado acima, em revezamento da equipe.

A equipe da Central explica também que a covid-19 possui uma fase “silenciosa” e pode gerar intubações repentinas, de fato. Isso acontece porque o doente começa a ofegar sem perceber para compensar o comprometimento do pulmão pela covid-19 ao longo dos dias, ainda em casa. Sem reparar, ele começa a fazer esforço pulmonar redobrado e sente-se bem. No entanto, com a evolução da inflamação nos pulmões, o esforço começa a aumentar. Isso pode levar à fadiga muscular do pulmão, o que significa que o paciente não terá mais forças para respirar devido aos vários dias de respiração continuamente esforçada. Nesses casos, embora a pessoa chegue no hospital andando e conversando, a falência dos músculos do pulmão exige intubação imediata. Embora a taxa de extubação seja menor do que todos desejam, a intubação só é escolhida quando não há outras alternativas e o óbito está evidente para a equipe médica como próxima evolução.

A direção do hospital lamenta o difícil momento em que todos passam, mas pede compreensão e apoio aos profissionais de saúde, que sofrem desgaste físico, psicológico e emocional por atender na Central enquanto trabalham para salvar vidas. Os resultados desse trabalho sério são percebidos nos números, visto que Vilhena é a cidade que, entre os municípios com 100 mil habitantes ou mais de Rondônia, tem a menor taxa de letalidade, a menor taxa de mortalidade, o menor número de casos ativos, a menor taxa de incidência de casos positivos e o maior percentual de casos recuperados.

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