Foto: Ilustrativa

Mesmo diante da pandemia da Covid-19, a manga do Brasil ultrapassou recordes de exportação durante o ano de 2020. O Observatório do Mercado de Manga da Embrapa Semiárido (PE), a partir de dados do Comex Stat (MDIC), apontou que os valores e volumes das exportações no último ano cresceram mais de 10% em relação ao ano anterior.

Em 2020, as exportações da manga nacional, em especial das variedades Tommy Atkins para o mercado americano; e Kent, Keitt e Palmer para a Europa, atingiram o valor de U$S 246,9 milhões com a venda para o mercado externo de 243,2 mil toneladas de manga. Durante os primeiros cinco meses, o valor exportado se manteve na média histórica, enquanto nos meses de junho a dezembro atingiram o recorde de valores já alcançados desde 2012, período analisado pelo Observatório.

Em volume de exportação, esses números representam um aumento de 13% em relação a 2019, se mantendo acima da média durante todo o ano. Também obteve, entre junho e dezembro, os volumes máximos registrados para o período nos últimos oito anos.

O Observatório analisou ainda o preço em dólar de caixas de manga de quatro quilos. Apesar da taxa de câmbio favorável para os exportadores durante todo o ano, devido à alta do dólar, entre fevereiro e maio os preços foram os mais baixos. De maio a setembro melhoraram e, a partir de outubro, baixaram novamente devido à sazonalidade anual.

Para o pesquisador João Ricardo Lima, responsável pelas análises realizadas no Observatório da Manga da Embrapa, o cenário positivo envolveu diversos fatores, entre eles a taxa de câmbio, a diminuição da produtividade da fruta em países concorrentes, como a Espanha e alguns países africanos, além da expansão do mercado americano, que esteve bastante favorável para a Tommy Atkins do Brasil.

EXPORTAÇÕES

A região do Vale do São Francisco, situada em pleno Semiárido Nordestino, é a grande responsável pelos números expressivos da exportação da manga nacional, com 212,2 mil toneladas no último ano, correspondendo a 87% do total exportado da fruta do Brasil. As águas do Rio São Francisco que abastecem os distritos de irrigação fazem da manga a fruta mais cultivada e com maior importância econômica e social na região. Segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), a área plantada em 2020 foi de 49 mil hectares, a maior do Brasil.

Devido ao uso da irrigação e à disponibilidade de sol, a região consegue manter a produção da fruta durante todos os meses, abastecendo os mercados interno e externo. As variedades mais plantadas são Palmer, Tommy, Kent e Keitt, apesar de se encontrar outras, como Haden, Ataulfo, Rosa e Espada Vermelha.

A mangicultura do Semiárido também é conhecida pelos altos rendimentos alcançados e pela qualidade da fruta. Mesmo sendo uma atividade altamente intensiva em tecnologia, é cultivada na região por pequenos e grandes produtores, um resultado favorecido pela ampliação dos investimentos e linhas de crédito e também pela pesquisa agropecuária, com a disponibilização de pacotes tecnológicos cada vez mais precisos.

Essa convergência de fatores positivos para a manga do Brasil fez com que a fazenda Agrodan, localizada no município de Belém do São Francisco, em Pernambuco, alcançasse um faturamento em torno de 30% maior que em 2019 com as exportações para o mercado europeu. “Mesmo com um volume maior de frutas, o preço que nós vendemos em euro foi praticamente igual. E com o euro valorizado em relação ao real, a lucratividade foi muito superior”, destaca Paulo Dantas, diretor-presidente da empresa.

De acordo com Dantas, o volume exportado pela empresa em 2020 teve um acréscimo em torno de 15%, o que coincide com o aumento da produção da fazenda. Ele avalia que, se tivesse mais fruta, poderia ter chegado a 20% ou 30%. “Para a Agrodan está faltando manga. Nossa limitação é de crescimento de produção, que não está acompanhando o crescimento do mercado”, ressalta.

Dantas avalia que, “apesar da dificuldade inicial da Covid-19, 2020 terminou sendo um ano bastante positivo”. E as perspectivas para 2021 são excelentes: “Se continuar com o euro valorizado, a tendência é ter um ano superpositivo novamente”.

O cenário promissor é confirmado pelo Observatório da Manga: “Para este ano, o esperado é que a taxa de câmbio se mantenha favorável para as exportações e que o Brasil produza frutas com maior qualidade do que as de 2020, mantendo o crescimento no mercado externo e com melhores preços”, prevê o pesquisador.

IMPACTO DA COVID-19

Apesar de a fruticultura tropical ter sido um dos setores menos afetados pela pandemia da Covid-19 no Brasil, no caso da manga, os valores históricos nas exportações não se refletiram no mercado interno, o principal cliente da fruta. Para se ter uma ideia, apenas cerca de 15% da manga que é produzida no Vale do São Francisco é exportada.

A maior parte é vendida para a Região Sudeste, mais especificamente para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Assim, a análise se concentra nas informações obtidas com os atacadistas dessa Central de Abastecimento. Em 2020, a Ceagesp comercializou 86 mil toneladas de manga e em 2019 o número foi de 88 mil t. Isso indica uma redução de 1,62%, mas que não reflete, necessariamente, um cenário negativo, explica o pesquisador João Ricardo Lima.

“Esse movimento já vem acontecendo desde anos anteriores. Em 2017, foram 95 mil toneladas e em 2018, 93 mil t. Ou seja, o volume destinado à Ceagesp já vem sendo reduzido, pois os produtores estão aumentando a venda de manga para outros lugares como o Rio de Janeiro e Minas Gerais”, explica.

A comercialização por variedades também se alterou na central paulista. A Palmer, que é a mais produzida no Vale do São Francisco, passou de 43 mil toneladas em 2019 para 41 mil toneladas em 2020, uma queda de 5,38%. No caso da Tommy, por outro lado, houve um leve crescimento de 0,25% entre 2019 e 2020. “É um aumento pequeno, porém importante, pois vinha caindo a cada ano e agora estabilizou, mesmo com a pandemia”, interpreta Lima.

O pesquisador esclarece que houve um primeiro momento de crescimento da demanda interna da manga, logo no início da quarentena: “As famílias se abasteceram de alimentos, pois não sabiam quanto tempo iriam demorar a voltar aos supermercados”, explica.

Depois desse boom inicial, a demanda apresentou redução, inclusive com dificuldade de produtores em encontrar compradores para as frutas e alguns cancelamentos de pedidos. No entanto, esse período foi curto e o mercado voltou para um novo equilíbrio ligado aos hábitos de consumo. “As pessoas passaram a ir menos aos supermercados, comprando em maiores quantidades. Contudo, nas médias mensais analisadas, as vendas não diferem muito de períodos anteriores à quarentena”, completa

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