Laboratório foi inaugurado na terça-feira / Foto: Divulgação

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), campus Cacoal, inaugurou na terça-feira 1, o Laboratório de Solos, Tecido Vegetal e Metais Pesados. A ação é uma parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), por meio do Convênio de Cooperação Técnica e Financeira 29/2018. O evento foi transmitido via  da unidade.

Participaram da cerimônia representantes do IFRO, da ABDI, da Indústria do Café no Brasil (Abics), da Câmara Setorial do Café de Rondônia, da Assembleia Legislativa, do Governo do Estado e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Com mais de 14 mil pessoas qualificadas em 2020, 10 unidades presenciais distribuídas geograficamente em todo o estado, 9 Centros de Inovação Tecnológica nos campi (em Cacoal sendo justamente o da área de café) e com 1,2 mil servidores, o IFRO é uma instituição com potencial para ajudar a transformar o país, observa  o  Reitor Uberlando Tiburtino Leite.

“Além da formação profissional, o IFRO desenvolve ações de pesquisa e de extensão tecnológica que atendem diretamente a sociedade e, de modo especial, aos produtores rurais, por estarmos em um Estado com o perfil fortemente agropecuário. Para que possamos ter êxito nesse objetivo institucional, há a necessidade de implantarmos e reestruturamos laboratórios em diversas áreas. O laboratório de solos irá dar suporte às ações de pesquisa e ensino desenvolvidas na unidade, de forma especial o suporte direto aos produtores rurais por meio da análise de solos e da recomendação de adubação e correção, para que tenhamos cada vez mais o fortalecimento das cadeias produtivas ligadas ao setor agropecuário. Então, o IFRO fica muito feliz com a parceria com a ABDI e esperamos que em pouco tempo tenhamos o resultado positivo, por meio da melhoria dos indicadores agrícolas do nosso Estado e dos produtores atendidos na região de Cacoal”, diz o gestor.

Por meio de vídeo, o Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Igor Nogueira Calvet, falou sobre a reestruturação que vem ocorrendo no Brasil. “Isso faz parte de nosso programa de desenvolvimento e inovação regional, algo que a Agência vem perseguindo há algum tempo e que coloca algumas regiões do país, e agora de modo especial Cacoal, numa rota de desenvolvimento, e porque não desenvolvimento sustentável, através da adoção de tecnologias modernas. Esse laboratório certamente vai contribuir com os milhares de cafeicultores do estado de Rondônia, que somados ao projeto de identificação geográfica Matas de Rondônia, vai beneficiar toda a cadeia agroindustrial do estado”.

Também da ABDI, o Analista de Produtividade e Inovação da ABDI, Antônio Carlos Tafuri, falou das estruturas e contextos das instituições que fazem parte da área do café em Cacoal e região e dos ganhos que trará a implantação do laboratório no IFRO.

Entre os gargalos apontados estavam: “Produtores enviando amostras para o Sul do país, para Mato Grosso ou Minas Gerais, para serem avaliadas lá e muitas vezes perdendo o timing de uma política pública, por exemplo, relacionada à disseminação de mudas”. Ou no caso dos pequenos produtores, nem conseguindo realizar a análise devido ao custo.

O Vice Governador do Estado de Rondônia, Jose Atilio Salazar Martins, relembrou que no Brasil são apenas dez laboratórios como o implantado em Cacoal. “É uma equipe envolvida para trazer o bem-estar para os nossos produtores. Quero falar com você viveirista, que não vai precisar precisar mandar sua análise para ver o nematoide para o Rio Grande do Sul ou São Paulo e não poder ter sua contraprova. Vai mandar para cá agora, aqui no laboratório do IFRO em Cacoal”, ressaltou.

O Diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo José de Lima, ressaltou o reconhecimento pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) da primeira Indicação Geográfica (IG), do tipo Denominação de Origem (DO), de café canéfora (robusta e conilon) sustentável do mundo, por meio do projeto Matas de Rondônia desenvolvido junto à Embrapa. Para ele, com o apoio de todos, juntos poderão ser criados diferenciais fantásticos.

Conforme o  Presidente da Câmara Setorial do Café de Rondônia, Ezequias Brás Neto (Tuta Café), foi uma importante trajetória para se chegar a este momento. Ele disse que o mérito foi de uma equipe composta por várias pessoas e instituições. “O mérito é de um coletivo que entendeu que Rondônia precisava desse projeto, dessa Identificação Geográfica”.

“Esse laboratório vem para atender aos nossos produtores, para diminuir o sacrifício, sofrimento que eles têm de mandar suas amostras para Cuiabá ou Rio Grande do Sul, onde faz análise de solo, onde vê e devolve o problema, não temos como recorrer, não temos como discutir, estamos perdendo mudas. Esse laboratório veio para acabar com esse problema, para que nós possamos resolver de vez o problema dos produtores e dos alunos do IFRO, que além de fazer essas amostras, vão aprender”, completa Ezequias.

A criação e inauguração do Laboratório de Solos, Tecido Vegetal e Metais Pesados em Rondônia significa um momento ímpar para o estado na opinião do Deputado Estadual Cirone Deiró. “Com isso traremos mais qualidade na nossa produção agrícola, graças à parceria da ABDI com o IFRO que pôde proporcionar a instalação desse laboratório. Estamos em pleno desenvolvimento da agricultura em nosso estado e esse laboratório é de fundamental importância para que a tecnologia possa se fazer cada dia mais presente, garantindo qualidade, com isso vamos avançar muito na agricultura familiar e na agricultura de alta produção”, afirmou.

Representando o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Coordenador-Geral de Acesso a Mercados no Departamento de Cooperativismo da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Mateus Soares da Rocha, também ressaltou os benefícios que virão com a implantação do laboratório. Após as falas, foi apresentado o vídeo com as instalações do Laboratório e explicações do Professor do campus Cacoal, Rodolfo Gustavo Teixeira Ribas.

Na sequência, o Diretor-Geral do IFRO campus Cacoal, Davys Sleman de Negreiros, fez a entrega das primeiras análises de solos aos cafeicultores do município de Cacoal Juan Travain (presidente da Caferon – Cafeiculturas Associados das Matas de Rondônia) e Ronaldo Bento (tetracampeão em sustentabilidade ambiental – Concafé). Também foi assinado o Acordo de Cooperação entre IFRO e Caferon para rastreabilidade do Café.

SOBRE O LABORATÓRIO

A expansão e a reestruturação do Laboratório de Solos, Tecido Vegetal e Metais Pesados do campus Cacoal provêm do Convênio de Cooperação Técnica e Financeira n. 29/2018 entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o IFRO, celebrado em 3/12/2018, aditivado em 17/11/2020 e válido até 3/12/2021.

O valor previsto de recursos para a reestruturação do Laboratório do IFRO prevê um total de R$ 768.093,04, sendo R$ 481.908,05 (62,74%) de aporte financeiro da ABDI somados a R$ 286.184,96 (37,26%) de contrapartida econômico-financeira do IFRO.

A iniciativa é fruto de um diagnóstico realizado na região de Cacoal, no início de 2017, no âmbito de programa de desenvolvimento produtivo e inovação regional adotado pela Agência, naquela época. A cadeia agroindustrial do café foi considerada prioritária e, em 2018, foram elaborados dois projetos complementares e sinérgicos em prol daquela cadeia: a reestruturação do Laboratório do IFRO campus Cacoal, e a Indicação Geográfica Matas de Rondônia. Ambos os projetos contaram com plena participação e validação por atores públicos e privados, representantes da cadeia do café na região e no país.

O convênio realizado com a ABDI foi um dos mais altos dentro do IFRO, segundo o Professor Davys Negreiros, entre todas as parcerias realizadas para a estrutura que está sendo organizada em Cacoal contribuir para ser escrita uma nova história da cafeicultura no estado.

Todas as instituições federais, estaduais e municipais que auxiliam neste processo, que ele avalia, será para os produtores não mais pensar na exportação de commodities, mas sim na produção de cafés especiais, na qualidade e na valorização do produto. Nisso, a análise de materiais pesados contribuirá com a expedição de laudos aos produtores.

“Esse campus se junta a essa cadeia extremamente importante, eu sempre falo que o café é o que une instituições tão distintas, mas que tem um objetivo comum que é criar a qualidade, a valorização e essencialmente a identidade do café para o estado, para o Brasil e para o mundo”, finaliza Davys.

 

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