Pagani mostra cópias de reportagens das revistas “Crusoé” e “O Antagonista” / Foto: Extra de Rondônia

A Câmara de Vilhena realizou, na manhã desta terça-feira, 10, a 19ª sessão ordinária do ano, ou a 2ª do segundo semestre, com uma pauta cheia de projetos de leis, além de dois requerimentos, que foram discutidos, votados e aprovados em plenário.

Entre os discursos dos parlamentares, um deles chamou a atenção dos presentes. Trata-se da denúncia feita pelo vereador Dhonatan Pagani (PSDB), que trouxe à tona a nomeação, na prefeitura de Vilhena, de um ex-assessor da Câmara Federal, envolvido num dos maiores escândalos de corrupção do país: a operação Sanguessuga ou o que ficou conhecido como a Máfia das Ambulâncias, denominação dada pela Revista “Super Interessante” que a coloca na posição número 8º de casos (leia mais AQUI).

Trata-se do servidor Francisco Machado Filho, conhecido como Chico Patú, nomeado na prefeitura de Vilhena em 1º de março deste ano, no cargo de Assessor de Integração Governamental CPC 01, tendo como local de trabalho o Gabinete do prefeito, com salário de R$ 7,9 mil. Em julho, inclusive, recebe a 1ª parcela do 13º salário, conforme comprovam os dados colhidos juntos ao Portal da Transparência

O crime estourou em 2006 devido à descoberta de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar dinheiro público destinado à compra de ambulância, envolvendo o ex-deputado federal Nilton Capixaba, que tem reduto eleitoral na cidade de Cacoal (leia mais AQUI).

Dados da nomeação no Portal da Transparência da prefeitura de Vilhena / Foto: Extra de Rondônia

Na tribuna da Câmara de Vilhena, Pagani mostrou cópias de reportagem publicadas nas revistas “Crusoé” e “O Antagonista” referente ao caso, revelando que, após 13 anos, Francisco foi demitido, já que “em depoimento à Comissão de Sindicância da Câmara Federal, em 2006, o ex-assessor admitiu que lavava dinheiro e fornecia suas senhas do sistema de emendas para operacionalizar o esquema”.

Ao comentar a nomeação, o parlamentar citou o trecho bíblico “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”, que repetiu em vários momentos de seu discurso.

“Ele foi, obviamente, escolhido pelo prefeito para resolver questões políticas e administrativas do município de Vilhena em Brasília. Eu sou livre para fazer tudo, mas não deve fazer tudo. Não devo fazer nada que venha a degradar minha moral. Digo isto porque, o Francisco Machado Filho – aliás que não o conheço – está nomeado no gabinete do prefeito Eduardo Japonês, era assessor do ex-deputado federal Nilton Capixaba. Francisco foi exonerado da Câmara dos Deputados por um processo administrativo e assumiu a responsabilidade do crime. O nome disso é corrupção. De repente a legislação permite que Francisco seja nomeado. Mas se tornou normal, quando é seu colega, dizer que a corrupção já passou, já foi”, disse.

Ele continuou seu raciocínio ao analisar que, agora, na prefeitura, isso é tratado como normal. “Ter acusado em corrupção, lavagem de dinheiro preso pela Polícia Federal, nomeado no gabinete, é o novo normal. E não pode subir em palanque para falar em moralidade, para falar de corrupção dos outros, se tem gente desse tipo nomeado no gabinete. Ninguém pode ser hipócrita nessa prefeitura ainda mais envolvendo dinheiro público. Existem coisas que na administração pública não podem ser permitidas. E quando se trata de lavagem de dinheiro, de esquema, de corrupção, evidente, aí a conclusão fica para cada um dos senhores, que irão avaliar se é lícito ou se isso lhe convém”, encerrou.

 

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