Bruno Viana Flamengo — Foto: Pedro H. Tesch / Agif

Depois de um primeiro tempo ruim, talvez um dos piores sob o comando de Renato Gaúcho, o Flamengo vai para o intervalo sem Bruno Henrique, lesionado, e Isla, expulso, com jogadores discutindo na saída de campo e muitas coisas para ajustar.

É jogo de quartas de final da Copa do Brasil, contra o copeiro Grêmio, fora de casa, em Porto Alegre, no Sul brasileiro que muitas vezes causou calafrios na torcida.

O resultado: um segundo tempo quase perfeito, 4 a 0 a favor no placar e vaga encaminhada para as semifinais.

Como explicar a vitória do Flamengo sobre o Grêmio?

Tentar entender a goleada rubro-negra é partir do princípio de que o Flamengo usou toda sua força para conseguir desafiar a lógica. Passa por uma correção de rumo, um ajuste simples, à moda Renato Gaúcho, um gol fortuito no início do segundo tempo e também por uma postura quase kamikaze do Grêmio.

Mas, sobretudo, é um símbolo da força de um elenco que continua sendo encorpado e que deu resposta em um dos momentos mais críticos da temporada. A goleada do Flamengo ser construída com gols de Michael, Vitinho, Bruno Viana e Rodinei não deixa de ser uma situação inusitada para parte da torcida que costuma carregar nas críticas a estes jogadores.

Dificuldades no meio-campo

Voltemos ao primeiro tempo. Renato escalou o seu time titular típico, com ajustes na zaga devido às ausências de Léo Pereira e Rodrigo Caio. O que se viu, porém, foi uma equipe longe daquela avassaladora que empilha goleadas.

O Grêmio dominou o meio-campo com um trio de volantes que se sobrepôs a Willian Arão e Diego. Thiago Santos, Vilasanti e Lucas Silva tinham vantagem numérica do setor e envolviam facilmente os rubro-negros. Como consequência, a defesa do Flamengo era constantemente exposta, e os homens de frente dificilmente recebiam em boas condições.

Uma solução que começou a ser desenhada ainda no primeiro tempo foi a mudança de posicionamento de Everton Ribeiro. O camisa 7 ainda defendia pelo lado direito, mas, com a bola, passou a atuar mais centralizado, ajudando os volantes na saída de bola e até se oferecendo no lado esquerdo para jogar. Isso equilibrou as ações por um breve momento, até a expulsão de Isla.

Ajustes e gol de Bruno Viana

O Flamengo foi para o intervalo numa situação difícil. Já havia perdido Bruno Henrique por lesão e agora precisava remontar a defesa. Renato fez duas alterações fora de seu padrão e que se mostraram certeiras: saíram Arrascaeta e o pendurado Diego, entraram Matheuzinho e Thiago Maia.

A rearrumação foi simples: um 4-4-1, com Gabigol no ataque, Thiago Maia e Arão como volantes. Everton continuou ajudando por dentro, num momento ainda mais necessário para evitar a superioridade dos volantes do Grêmio, e Michael seguiu aberto na esquerda para os contra-ataques.

O gol de Bruno Viana logo no início condicionou o segundo tempo, mas naquele momento o Flamengo já parecia mais arrumado e sofria menos do que na etapa inicial, muito pela forma como Thiago Maia entrou bem no meio-campo, dando mais equilíbrio ao setor. A desvantagem no placar fez o Grêmio se lançar ainda mais ao ataque e conceder generosos espaços no contra-ataque.

A hora de Michael

A partida se moldou para Michael. O atacante do Flamengo, convertido a talismã com Renato, sempre se mostrou mais confortável com campo para jogar e explorar sua velocidade.

Contra o Grêmio, Michael deu um passo além: tomou boas decisões, como num passe certeiro para Everton Ribeiro. Tomou algumas broncas de Gabigol, mas o saldo foi positivo, com um gol e um pênalti. Sempre em contra-ataques velozes.

Quando Everton cansou, foi a vez de Renato lançar mão de Vitinho. Outro jogador que ainda não tem a confiança irrestrita da torcida. O atacante vinha de boas atuações no segundo tempo, mas sempre entrando em jogos já decididos. Dessa vez, teve o mérito de decidir por si só o confronto: duas assistências e um gol.

As lições

A goleada deixa o Flamengo muito próximo da semifinal da Copa do Brasil e inevitavelmente traz euforia à torcida. É importante, porém, perceber como foi um jogo atípico. O mérito de Renato e da equipe rubro-negra foi saber se adaptar e aproveitar as oportunidades que a partida ofereceu. Nas condições normais, o time teve alguma dificuldade para controlar o duelo e fazer valer sua qualidade.

O Flamengo de Renato segue vencendo, goleia com frequência e se impõe ao adversário quase que à força, pela notável superioridade técnica. Contra o Grêmio, além do time titular habitual, valeu pela resiliência e pelo passo à frente de nomes que não são unânimes, mas que podem ser úteis na reta final da temporada.

sicoob

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