{"id":103330,"date":"2015-09-05T08:57:41","date_gmt":"2015-09-05T12:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=103330"},"modified":"2015-09-05T09:10:58","modified_gmt":"2015-09-05T13:10:58","slug":"estorias-da-amazonia-lago-do-mira-leia-na-coluna-de-ivanir-aguiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2015\/09\/05\/estorias-da-amazonia-lago-do-mira-leia-na-coluna-de-ivanir-aguiar\/","title":{"rendered":"Est\u00f3rias da Amaz\u00f4nia, lago do mira I; Leia na coluna de Ivanir Aguiar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ivanir-aguiar-999.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-103331\" src=\"http:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ivanir-aguiar-999-300x265.jpg\" alt=\"ivanir-aguiar-999\" width=\"300\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ivanir-aguiar-999-300x265.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ivanir-aguiar-999-475x420.jpg 475w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/ivanir-aguiar-999.jpg 543w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Senta aqui, meu pretinho. J\u00e1 que chove. Vai molhar o cabelinho. Oh! Arrume perto da v\u00f3 aqui na janela. Trepa no banquinho. Bota os joelhos aqui. Ai assim, n\u00e3o, mais para c\u00e1, assim. Escuta o tropel da chuva. Parece bando de caititu disparado. \u00c8vem chegando \u00e9 de prata. Prata \u00e9 branca. Branca \u00e9 dif\u00edcil de explicar. O preto \u00e9 mais focinho. A cor da v\u00f3 parece com preto. A sua , a de Jo\u00e3o seu pai. N\u00f3s \u00edndios, caboclo, ai o sol cozinhou a gente e n\u00f3s ficou dessa cor de ja\u00e7an\u00e3. De noite \u00e9 preto. De dia \u00e9 branco. \u00c9 o contrario, num sabe , isto que voc\u00ea enxerga \u00e9 o preto, as trevas. Ent\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de explicar. Nas trevas \u00e9 que mora o caipora, os Saci- Perer\u00ea, tudo que \u00e9 assombra\u00e7\u00e3o, gente que n\u00e3o tem caridade. Tenha medo n\u00e3o que a onde a v\u00f3 est\u00e1 eles n\u00e3o vem n\u00e3o. Vixe! Desabafa! Deus \u00e9 amis. Deus \u00e9 do c\u00e9u que \u00e9 tudo branquinho. Foi os pastor da igreja, aqueles homens da l\u00edngua enrolada foram que ensino, aqui no mira \u00e9 assim. \u00c9 tudo gente que sabe, gente do c\u00e9u. S\u00e3o tudo branquinhos tamb\u00e9m. Branquinho, branquinho! Duma alvura s\u00f3. Mas o c\u00e9u \u00e9 alto. Custoso de chegar tem o c\u00e9u azul e o c\u00e9u branco. O azul est\u00e1 aqui mais perto aonde tem as nuvens. As nuvens \u00e9 igual a algod\u00e3o. Voc\u00ea conhece algod\u00e3o? N\u00e3o ? ent\u00e3o \u00e9 a fruta do ing\u00e1. Macia, assim, assim, se desse conta a gente podia ficar sentadinho em cima dela delas que n\u00e3o caia n\u00e3o. Mas \u00e9 de altura que nem os passarinhos chega l\u00e1. Tem dias que eles desce na copa das arvores. Ai, se voc\u00ea obedece direitinho, a v\u00f3 manda o Laur\u00edpio te botar arrumadinho em cima das nuvens. Alto? Alto \u00e9 um longe para cima, como daqui do paran\u00e1 do D\u00eao. S\u00f3 se jogar flexa com muita for\u00e7a para chegar l\u00e1.<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o sabe que depois ela cai? \u00c9 porque bate no c\u00e9u e volta. Mas n\u00e3o pensa nisso n\u00e3o. J\u00e1 \u00e9 depois da chuva. Tem um arco-\u00edris muito grande bebendo \u00e1gua no igarap\u00e9. \u00c9 uma roda bonita demais. cheia de riscos de cor! Pudera ver. \u00c9 de levar \u00e1gua e comida para os anjos de nosso senhor. Quem achar onde ele caba ou come\u00e7a ganha um pote de ouro, ou se transforma de homem para mui\u00e9 ou de mui\u00e9 para homem. Ningu\u00e9m acha. J\u00e1 saiu gente daqui cortando \u00e1gua de remo e motor, mas quando chega no furo ele j\u00e1 sumiu, \u00e9 de poder de deus. Nem os que tem taberna cheia de coisas boa. Ai \u00e9. Escuta direitinho a v\u00f3. Quer mascar tabaco? Quer n\u00e3o? Farinha tem. Tr\u00e1s a\u00ed o menininha, pro curumim. Na lata vermelha: de banha. Voc\u00ea n\u00e3o quer saber como \u00e9 vermelho, meu menino? \u00c9 igual \u00e0s pernas de arara. Aperta bem os olhinhos. Agora espia no rumo do sol. N\u00e3o, pro outro lado. Espera a\u00ed. N\u00e3o bambeia os olhos. Viu? Isso \u00e9 vermelho, a cor do sangue de Jesus. Esse passarinho que come a\u00ed nas amoras \u00e9 vermelho tamb\u00e9m. Vermelho de bico preto. As asas s\u00e3o brancas. O branco \u00e9 mais dif\u00edcil. N\u00e3o afrouxa os olhos n\u00e3o. Est\u00e1 vendo como que uns ciscos no vermelho? \u00c9 estrela. Estrela \u00e9 amarela. Igual que \u00e1s bagis de milho e as pernas do can\u00e1rio ou mam\u00e3o maduro. Tem muita flor amarela<\/p>\n<p>Tem cravo, esse que cheira muito de tarde, tem margarida e girassol, tem demais. A v\u00f3 que planta tudo ai no casco. Ent\u00e3o quando \u00e9 de noite o c\u00e9u \u00e9 carregadinho de estrelas, parece o arroz de marreca cheio de florzinha no meio. Aquele boi do Laudelino que fica preso a\u00ed na maromba \u00e9 amarelo tamb\u00e9m. Os chifres \u00e9 de um preto mais doente, tirado para o cinza. Cinza ent\u00e3o \u00e9 o preto mais entupido, mais no meio do caminho. \u00c9 triste, mas \u00e9 da natureza. Essa natureza que est\u00e1 aqui, dando vida a tudo que dela participa. N\u00f3s aqui, vivendo esta beleza agradecemos a Deus por dar pra gente t\u00e3o bonito luar. Tomara, meu pretinho, que\u00a0 a gente tenha sempre isso por aqui. Que n\u00e3o venha homem na cidade grande para acabar com isso aqui. Essa \u00e9 a nossa vida. \u00c9 a vida que deus deu pra gente.<\/p>\n<p><strong>Ivanir Aguiar<\/strong> \u00e9 jornalista e membro da Academia Vilhenense de Letras<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senta aqui, meu pretinho. J\u00e1 que chove. Vai molhar o cabelinho. Oh! Arrume perto da v\u00f3 aqui na janela. Trepa no banquinho. Bota os joelhos aqui. Ai assim, n\u00e3o, mais para c\u00e1, assim. 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