{"id":259189,"date":"2019-04-22T08:45:52","date_gmt":"2019-04-22T12:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=259189"},"modified":"2019-04-22T08:45:52","modified_gmt":"2019-04-22T12:45:52","slug":"pesquisa-ajuda-indigenas-a-produzir-cafe-com-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2019\/04\/22\/pesquisa-ajuda-indigenas-a-produzir-cafe-com-qualidade\/","title":{"rendered":"Pesquisa ajuda ind\u00edgenas a produzir caf\u00e9 com qualidade"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_259194\" aria-describedby=\"caption-attachment-259194\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-259194\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Valdir-Arua-e-a-esposa-Maria-Aparecida_foto_Renata-Silva-2-600x400.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Valdir-Arua-e-a-esposa-Maria-Aparecida_foto_Renata-Silva-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Valdir-Arua-e-a-esposa-Maria-Aparecida_foto_Renata-Silva-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Valdir-Arua-e-a-esposa-Maria-Aparecida_foto_Renata-Silva-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Valdir-Arua-e-a-esposa-Maria-Aparecida_foto_Renata-Silva-2-696x464.jpg 696w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Valdir-Arua-e-a-esposa-Maria-Aparecida_foto_Renata-Silva-2-630x420.jpg 630w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Valdir-Arua-e-a-esposa-Maria-Aparecida_foto_Renata-Silva-2.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-259194\" class=\"wp-caption-text\">Projeto premiar\u00e1 o caf\u00e9 de melhor qualidade produzido por ind\u00edgenas\/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia est\u00e3o recebendo apoio da ci\u00eancia para melhorar a qualidade dos caf\u00e9s que produzem. Um projeto de transfer\u00eancia de tecnologia repassa a esses cafeicultores t\u00e9cnicas manejo, colheita, p\u00f3s-colheita e sele\u00e7\u00e3o de cultivares adequadas para a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica e \u00e0 forma de produ\u00e7\u00e3o ind\u00edgena.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o que teve in\u00edcio em fevereiro de 2018, com tr\u00eas fam\u00edlias das etnias Tupari e Aru\u00e1, agora, com apoio de parceiros p\u00fablicos e privados, passa a atender mais de 100 fam\u00edlias ind\u00edgenas de diversas etnias do Estado.<\/p>\n<p>Produtores de caf\u00e9s j\u00e1 h\u00e1 mais de 30 anos em Rond\u00f4nia, os ind\u00edgenas t\u00eam cultura, tradi\u00e7\u00e3o e n\u00edveis de rela\u00e7\u00e3o com o ambiente muito amplo e diferenciado.<\/p>\n<p>A melhoria da qualidade de vida dessas popula\u00e7\u00f5es, assim como sua inser\u00e7\u00e3o social, \u00e9 quest\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica e uma demanda antiga desse conjunto de etnias remanescentes no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foi com essa premissa que a Embrapa Rond\u00f4nia, em parceria com a Secretaria de Agricultura de Alta Floresta D\u2019Oeste (Semagri) e apoio da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), iniciou um projeto de transfer\u00eancia de tecnologias para a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de caf\u00e9s de qualidade especial. Assim, surgiu um produto que agrega valor devido \u00e0 sua qualidade intr\u00ednseca e sua origem, os Robustas Amaz\u00f4nicos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O projeto se baseou no conceito de que a agricultura sustent\u00e1vel pode ajudar a proporcionar o equil\u00edbrio entre a obten\u00e7\u00e3o de recursos financeiros, melhoria de vida nas aldeias e a preserva\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>Nesse contexto, segundo o pesquisador da Embrapa Rond\u00f4nia, Enrique Alves, a cafeicultura \u00e9 uma \u00f3tima escolha. Pois, se adapta tanto a cultivos a pleno sol quanto arborizado e possui alta rentabilidade por \u00e1rea, resultando em menor depend\u00eancia de grandes lavouras para proporcionar a viabilidade do m\u00f3dulo produtivo.<\/p>\n<p>\u201cAcredito no poder de transforma\u00e7\u00e3o que o uso de tecnologias de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel pode ter na realidade da agricultura familiar e de comunidades tradicionais amaz\u00f4nicas. \u00c9 uma verdadeira quebra de paradigma. Muitos n\u00e3o acreditam no empreendedorismo ind\u00edgena e em sua capacidade em praticar atividades mais elaboradas, que v\u00e3o al\u00e9m da ca\u00e7a, pesca e o extrativismo. Est\u00e3o dando exemplo a todos n\u00f3s\u201d, ressalta Alves.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00e3o apenas extrativistas, s\u00e3o, desde os prim\u00f3rdios, coletores e conservadores de sementes e frutos. Possuem em sua tradi\u00e7\u00e3o o cuidado e o amor \u00e0 terra e ao meio ambiente. T\u00eam uma forma simples de agricultura e s\u00e3o seletivos no momento da colheita.<\/p>\n<p>Esta parece at\u00e9 a descri\u00e7\u00e3o de produtores de base familiar especializados em caf\u00e9s de qualidade. E s\u00e3o essas as caracter\u00edsticas principais, segundo o pesquisador, que fazem dos ind\u00edgenas potenciais produtores de caf\u00e9s finos.<\/p>\n<p><strong>INICIO<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho com os cafeicultores da Terra Ind\u00edgena Rio Branco, em Alta Floresta D\u2019Oeste, teve in\u00edcio por meio de convite feito \u00e0 Embrapa Rond\u00f4nia pelo l\u00edder da comunidade, Dalton Tupari, no final de 2017, durante um evento que tratava da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s em Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s falas de t\u00e9cnicos, pesquisadores e pol\u00edticos, o l\u00edder ind\u00edgena se sentiu motivado. \u201cQueremos fazer parte desse movimento de transforma\u00e7\u00e3o da cafeicultura rondoniense\u201d, disse Dalton. Ele pediu apoio para mudar a realidade de produtores de caf\u00e9s comuns, investindo na produ\u00e7\u00e3o com qualidade.<\/p>\n<p>Para transformar este cen\u00e1rio, j\u00e1 no in\u00edcio de 2018, foram selecionadas tr\u00eas fam\u00edlias de produtores das etnias Aru\u00e1 e Tupari que come\u00e7aram a receber as primeiras visitas t\u00e9cnicas e treinamentos espec\u00edficos quanto ao cultivo do caf\u00e9.<\/p>\n<p>O foco inicial foi na p\u00f3s-colheita, um dos principais gargalos da cafeicultura, em Rond\u00f4nia e no Brasil. Com \u00eanfase na sustentabilidade, foram constru\u00eddos secadores solares, os conhecidos terreiros suspensos, e os ind\u00edgenas come\u00e7aram a colocar em pr\u00e1tica conceitos que j\u00e1 lhe s\u00e3o familiares: a coleta de frutos maduros e a sele\u00e7\u00e3o dos mais saud\u00e1veis e bem formados.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, o in\u00edcio dos trabalhos com a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s especiais renovou nesses ind\u00edgenas a preocupa\u00e7\u00e3o com o meio ambiente e refor\u00e7ou a vontade de ser sustent\u00e1vel e org\u00e2nico. Eles querem, sim, a tecnologia e a evolu\u00e7\u00e3o em sua agricultura. Mas, com respeito \u00e0 sua tradi\u00e7\u00e3o, preservando e interagindo com a floresta. Inclusive, desistiram da praticidade dos herbicidas em prol da capina mec\u00e2nica e j\u00e1 protegem o solo com aduba\u00e7\u00e3o verde nas entrelinhas.<\/p>\n<p>J\u00e1 no primeiro ano o projeto rendeu bons frutos. O primeiro microlote de 10 sacas produzido pelo ind\u00edgena Valdir Aru\u00e1, da Terra Ind\u00edgena Rio Branco, conquistou, em 2018, o 2\u00b0 lugar no concurso estadual de qualidade do caf\u00e9 em Rond\u00f4nia e o 20\u00b0 lugar no concurso nacional Coffee of the year \u2013 Conilon e Robusta. Este caf\u00e9 foi comercializado ao dobro do pre\u00e7o da commodity tradicional.<\/p>\n<p>Segundo Valdir Aru\u00e1, este resultado abriu as portas para o reconhecimento de toda a comunidade de agricultores ind\u00edgenas do estado. \u201cIsso mudou a vida da minha fam\u00edlia e da comunidade ind\u00edgena. Estou orgulhoso pelo fruto do nosso trabalho. Temos capacidade de fazer muito mais e queremos ir al\u00e9m\u201d, afirma.<\/p>\n<p>E foram al\u00e9m. Estes bons resultados chamaram a aten\u00e7\u00e3o do Grupo 3 Cora\u00e7\u00f5es, maior empresa de caf\u00e9s do Brasil, que abra\u00e7ou a a\u00e7\u00e3o e lan\u00e7ou o projeto Tribos, iniciativa que tem como principal objetivo valorizar o trabalho que ind\u00edgenas produtores de caf\u00e9 est\u00e3o realizando no cora\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica e, com isso, dar protagonismo a eles.<\/p>\n<p>O projeto fomenta um desenvolvimento sustent\u00e1vel amparado nos pilares social, ambiental e econ\u00f4mico interagindo de forma harmoniosa.<\/p>\n<p>Com o projeto Tribos, o conhecimento t\u00e9cnico e o modelo de trabalho criado pela Embrapa Rond\u00f4nia est\u00e3o sendo replicados para 127 fam\u00edlias ind\u00edgenas do estado, localizadas nas Terras Ind\u00edgenas Sete de Setembro, no munic\u00edpio de Cacoal, e Rio Branco, em Alta Floresta D\u2019Oeste.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar que algumas fam\u00edlias de cafeicultores Paiter Suru\u00ed, de Cacoal, j\u00e1 recebiam assist\u00eancia t\u00e9cnica da Emater-RO, e, com o projeto Tribos, todos os trabalhos foram integrados somando novos parceiros.<\/p>\n<p><strong>PRODU\u00c7\u00c3O DE ROBUSTAS AMAZ\u00d4NICOS <\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), os ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia est\u00e3o entre os poucos do Pa\u00eds que cultivam o caf\u00e9 como forma de obten\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>A cafeicultura ind\u00edgena no Estado n\u00e3o \u00e9 novidade. Os Paiter Suru\u00ed, do munic\u00edpio de Cacoal, realizam a atividade h\u00e1 mais de 30 anos e os Aru\u00e1s e Tuparis, da Terra Ind\u00edgena Rio Branco, de Alta Floresta D&#8217;Oeste, cultivam o caf\u00e9 h\u00e1 mais de 15 anos. Mas, o que os colocaram em destaque foi a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s especiais, com notas acima de 80 pontos na classifica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Caf\u00e9 Especiais (SCAA).<\/p>\n<p>S\u00e3o caf\u00e9s que, segundo os especialistas, possuem sabores ex\u00f3ticos, com do\u00e7ura e notas de chocolate e castanha, que remetem a produtos amaz\u00f4nicos como a bacaba, uma palmeira nativa desta regi\u00e3o, e que t\u00eam chamado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o e atraindo investidores para a cafeicultura do estado.<\/p>\n<p><strong>PARCERIAS<\/strong><\/p>\n<p>Para Pedro Lima, presidente da Companhia, ao longo dos 60 anos de hist\u00f3ria, o Grupo 3cora\u00e7\u00f5es busca parcerias genu\u00ednas e duradouras. O Projeto Tribos caminha neste sentido e, al\u00e9m disso, valoriza a diversidade cultural que existe no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cComo maior empresa de caf\u00e9s do pa\u00eds, temos a responsabilidade de desenvolver a cadeia produtiva do caf\u00e9 e parceiros como a Embrapa s\u00e3o fundamentais para gerar conhecimento e atuar em busca deste desenvolvimento constantemente. A Embrapa contribui h\u00e1 mais de 40 anos com inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que s\u00e3o o grande diferencial na evolu\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria. Acreditamos que juntos criaremos valor para todos os envolvidos neste projeto sustent\u00e1vel\u201d, conclui Lima.<\/p>\n<p><strong>PROJETO TRIBOS<\/strong><\/p>\n<p>O projeto engloba iniciativas de capacita\u00e7\u00e3o para dar acesso \u00e0s melhores pr\u00e1ticas na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s de qualidade. A companhia tamb\u00e9m est\u00e1 investindo na infraestrutura necess\u00e1ria nas aldeias para viabilizar a produ\u00e7\u00e3o dos caf\u00e9s almejados. Al\u00e9m disso, visando a sustentabilidade, o reconhecimento e a valoriza\u00e7\u00e3o, o Grupo 3 cora\u00e7\u00f5es comprar\u00e1 100% dos caf\u00e9s cultivados nas duas Terras Ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A compra acontecer\u00e1 de duas formas. A primeira \u00e9 por meio do lan\u00e7amento da 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Concurso Tribos, um concurso de caf\u00e9s de qualidade exclusivo para os povos ind\u00edgenas em que ser\u00e3o premiados o primeiro, segundo e terceiro lugar.<\/p>\n<p>O melhor caf\u00e9 ser\u00e1 comprado por R$3 mil cada saca e mais R$25mil de pr\u00eamio em dinheiro, o 2\u00ba lugar ter\u00e1 a compra das sacas por R$2 mil cada uma e mais R$15 mil em dinheiro e o 3\u00ba lugar ser\u00e1 adquirido por R$1 mil cada saca e R$10 mil de premia\u00e7\u00e3o (de acordo com regulamento).<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento deste concurso ocorreu no \u00faltimo dia 11 em Cacoal, durante a semana que marca o in\u00edcio da colheita no Estado.<\/p>\n<p>A segunda forma de comprar os caf\u00e9s ser\u00e1 reflexo da qualidade que os povos ind\u00edgenas atingirem em suas respectivas produ\u00e7\u00f5es de caf\u00e9. Ou seja, a medida que aumenta a qualidade, aumenta tamb\u00e9m o pr\u00eamio por saca.<\/p>\n<p>Os melhores caf\u00e9s ser\u00e3o comprados pelo dobro do pre\u00e7o da cota\u00e7\u00e3o de mercado. Tais iniciativas garantem grande incentivo aos ind\u00edgenas cafeicultores, uma vez que eles passam a ter n\u00e3o s\u00f3 a garantia de compra de 100% de sua produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m um pr\u00eamio que valoriza o trabalho realizado.<\/p>\n<p>O projeto da 3 Cora\u00e7\u00f5es conta com a parceria da Embrapa, Funai, Emater-RO, Secretaria Municipal de Agricultura de Alta Floresta D\u2019Oeste e de Cacoal e C\u00e2mara Setorial do Caf\u00e9 do Estado de Rond\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia est\u00e3o recebendo apoio da ci\u00eancia para melhorar a qualidade dos caf\u00e9s que produzem. 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