{"id":294792,"date":"2020-02-27T09:06:11","date_gmt":"2020-02-27T13:06:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=294792"},"modified":"2020-02-27T09:06:11","modified_gmt":"2020-02-27T13:06:11","slug":"mulheres-sao-protagonistas-na-producao-de-cafe-em-ro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2020\/02\/27\/mulheres-sao-protagonistas-na-producao-de-cafe-em-ro\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o protagonistas na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 em RO"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_294793\" aria-describedby=\"caption-attachment-294793\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-294793\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/f53aa67fae30d8b291a4acaf42c7f390_agrorondonia_cacoal-300x231.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"231\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/f53aa67fae30d8b291a4acaf42c7f390_agrorondonia_cacoal-300x231.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/f53aa67fae30d8b291a4acaf42c7f390_agrorondonia_cacoal-600x463.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/f53aa67fae30d8b291a4acaf42c7f390_agrorondonia_cacoal-768x592.jpg 768w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/f53aa67fae30d8b291a4acaf42c7f390_agrorondonia_cacoal-696x537.jpg 696w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/f53aa67fae30d8b291a4acaf42c7f390_agrorondonia_cacoal-545x420.jpg 545w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/f53aa67fae30d8b291a4acaf42c7f390_agrorondonia_cacoal.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-294793\" class=\"wp-caption-text\">&#8221; 1\u00ba Encontro das Mulheres de Rond\u00f4nia&#8221; realizado em 2018 \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pela primeira vez, uma mulher foi a campe\u00e3 do &#8220;Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Caf\u00e9 de Rond\u00f4nia (Concaf\u00e9)&#8221;. Promovida pelo governo do Estado, \u00e9 considerado a maior premia\u00e7\u00e3o da cafeicultura na regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p>A engenheira agr\u00f4noma, viveirista e produtora Poliana Perrut, do munic\u00edpio de Novo Horizonte, ganhou em seu Robusta Amaz\u00f4nico a nota 88,6, de acordo com a Metodologia de Avalia\u00e7\u00e3o Sensorial da SCA \u2013 Specialty Coffee Association, usada no mundo todo.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 que conquistou os avaliadores tinha caracter\u00edsticas de chocolate, era doce e encorpado, com notas florais e que tamb\u00e9m lembravam jabuticaba. Foram 306 amostras inscritas na competi\u00e7\u00e3o e enviadas de 30 munic\u00edpios do estado.<\/p>\n<p>Poliana tra\u00e7ou uma estrat\u00e9gia campe\u00e3.\u00a0 Testou os melhores clones de sua lavoura jovem e diferentes m\u00e9todos de processamento como o natural e as fermenta\u00e7\u00f5es positivas, tipo &#8220;Sprouting Process&#8221; e em tanques enriquecidos com leveduras.<\/p>\n<p>No final, a cafeicultora decidiu que iria concorrer com o caf\u00e9 fermentado com leveduras, por apresentar um perfil sensorial muito complexo e \u00fanico. Escolha que rendeu a ela o primeiro lugar no concurso e mais 15 mil reais em m\u00e1quinas, al\u00e9m de ter as cinco sacas do caf\u00e9 campe\u00e3o vendidas a R$ 3 mil cada.<\/p>\n<p>\u201cCom a premia\u00e7\u00e3o quero adquirir m\u00e1quinas que me ajudem a obter lotes maiores com o mesmo n\u00edvel de qualidade do caf\u00e9 campe\u00e3o. Tamb\u00e9m vou fazer cursos para aprender a provar os caf\u00e9s, pelo menos para experimentar os lotes diferentes que pretendo fazer\u201d, conta a campe\u00e3.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de 2019 do Concaf\u00e9 contou com recorde de mulheres inscritas. Foram cerca de 50, isso s\u00e3o 550% a mais que no ano passado, quando apenas nove se inscreveram. \u201cFruto de mobiliza\u00e7\u00e3o, visibilidade e incentivo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o mais ativa das mulheres, que sempre atuaram diretamente em todos os setores da cafeicultura\u201d, comenta Poliana Perrut, que tamb\u00e9m \u00e9 uma das representantes do Subcap\u00edtulo de Rond\u00f4nia na Alian\u00e7a Internacional das Mulheres do Caf\u00e9 no Brasil (IWCA).<\/p>\n<p>Durante o ano de 2019, ela percorreu propriedades e participou de eventos que buscaram despertar o interesse das mulheres em fazer caf\u00e9s com qualidade e se inscreverem no concurso.<\/p>\n<p>A capacidade de empreender n\u00e3o est\u00e1 relacionada ao g\u00eanero. Os resultados obtidos em competi\u00e7\u00f5es como esta mostram que n\u00e3o existe uma \u2018guerra dos sexos\u2019. O que se v\u00ea \u00e9 uma parceria, \u00e9 a soma que tem gerado bons frutos.<\/p>\n<p>\u201cCresci em uma fam\u00edlia onde homens e mulheres se equivalem. Tive a sorte e o prazer de ter um marido que partilha dessa mesma opini\u00e3o. Ele acredita e confia no meu trabalho, tem me apoiado imensamente. Quando achei que poderia n\u00e3o dar certo estes caf\u00e9s especiais, ele sempre apoiou a continuar com o trabalho\u201d, afirma Poliana.<\/p>\n<p>O esposo e parceiro Licleison da Silva, est\u00e1 orgulhoso e n\u00e3o esconde a satisfa\u00e7\u00e3o. &#8220;Ela trabalhou, se dedicou e agarrou a oportunidade de mostrar o seu trabalho, colhendo os frutos do esfor\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p><strong>NOVOS AROMAS<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres, aos poucos, est\u00e3o ajudando a transformar o perfil da cafeicultura na Amaz\u00f4nia. Est\u00e3o dando o exemplo de como o uso de novas tecnologias podem mudar realidades e criar novos produtos.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador da Embrapa Rond\u00f4nia, Enrique Alves, muitos acreditam que \u00e9 dif\u00edcil produzir caf\u00e9s can\u00e9foras (conilon e robusta) de qualidade especial. Mas, com o uso de tecnologias h\u00e1 uma nova gama de possibilidades.<\/p>\n<p>\u201cAs fermenta\u00e7\u00f5es controladas vieram para ficar para os Robustas Amaz\u00f4nicos.\u00a0 O efeito da a\u00e7\u00e3o dos microrganismos nos frutos e gr\u00e3os evidenciam e tornam mais intensas caracter\u00edsticas de acidez e do\u00e7ura, deixando a bebida bastante equilibrada e interessante aos mais exigentes paladares\u201d, explica o pesquisador. Ele ressalta ainda que o cuidado no ponto ideal de colheita e a secagem lenta e cuidadosa dos frutos continua sendo essencial para atingir a qualidade desejada.<\/p>\n<p><strong>MULHERES CAFEICULTORAS\u00a0<\/strong><b>IND\u00cdGENAS<\/b><\/p>\n<p>Em outro concurso de qualidade dos Robustas Amaz\u00f4nicos, o &#8220;Tribos&#8221;, voltado para os povos ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia, as mulheres tamb\u00e9m estiveram no topo. A ind\u00edgena Din\u00e1 Suru\u00ed e seu esposo Yamix\u00e3rah Suru\u00ed, do munic\u00edpio de Cacoal, foram os campe\u00f5es da primeira edi\u00e7\u00e3o, realizada no m\u00eas de setembro de 2019. Os dois lidam juntos, diariamente, com a lavoura de caf\u00e9, que \u00e9 a principal fonte de renda da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cO caf\u00e9 \u00e9 tudo para n\u00f3s. Com a premia\u00e7\u00e3o do Tribos vamos investir mais na lavoura, sempre com sustentabilidade\u201d, afirma Din\u00e1. O segundo lugar no &#8220;Tribos&#8221; tamb\u00e9m foi fruto do trabalho conjunto do casal Valcemir Canoe e Melissa Tupari, do munic\u00edpio de Alta Floresta d\u2019Oeste. Sobre a atua\u00e7\u00e3o das mulheres na cafeicultura na aldeia Valcemir \u00e9 categ\u00f3rico: \u201cAs mulheres \u00e9 que est\u00e3o firmes mesmo na lavoura\u201d.<\/p>\n<p>A cafeicultura de Rond\u00f4nia \u00e9 familiar, diversificada, inclusiva e est\u00e1 em constante renova\u00e7\u00e3o. Fam\u00edlias, mulheres, ind\u00edgenas e jovens est\u00e3o promovendo a inova\u00e7\u00e3o e a qualidade na cafeicultura do estado e est\u00e3o sendo premiados.<\/p>\n<p>Os concursos refletem isso e apresenta para o Brasil e o mundo sabores e aromas \u00fanicos da Amaz\u00f4nia. Sempre aliados a uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e a hist\u00f3rias de uma gente batalhadora que colhe o resultado de muita dedica\u00e7\u00e3o e capricho com o caf\u00e9.<\/p>\n<p><strong>MULHERES DO CAF\u00c9 EM RO<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres sempre tiveram importante papel, no emprego de sua sensibilidade e for\u00e7a de trabalho em todas as etapas do setor do caf\u00e9, seja na lavoura, na comercializa\u00e7\u00e3o, como baristas, pesquisadoras, extensionistas e comunicadoras. Apesar de ativas, continuam quase invis\u00edveis no processo e desvalorizadas.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de valoriza\u00e7\u00e3o e visibilidade da atua\u00e7\u00e3o das mulheres do caf\u00e9 em Rond\u00f4nia tiveram in\u00edcio em 2017, com a publica\u00e7\u00e3o do livro Mulheres dos Caf\u00e9s do Brasil, pela Alian\u00e7a Internacional das Mulheres do Caf\u00e9 no Brasil (IWCA), que incluiu cap\u00edtulo referente ao estado.<\/p>\n<p>Em 2018 foi realizado pela Embrapa o primeiro &#8220;Encontro das Mulheres de Rond\u00f4nia&#8221;, reunindo especialistas mundiais como a indiana Sunalini Menon, embaixadora do caf\u00e9 na \u00c1sia, a especialista em caf\u00e9s especiais Josiana Bernardes e a diretora da IWCA Brasil, Cristiane Yuki Minami. Foi um momento de trocas de experi\u00eancias e intera\u00e7\u00e3o com mulheres do setor do caf\u00e9 de Rond\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pela primeira vez, uma mulher foi a campe\u00e3 do &#8220;Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Caf\u00e9 de Rond\u00f4nia (Concaf\u00e9)&#8221;. Promovida pelo governo do Estado, \u00e9 considerado a maior premia\u00e7\u00e3o da cafeicultura na regi\u00e3o Norte. 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