{"id":306359,"date":"2020-06-24T09:01:42","date_gmt":"2020-06-24T13:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=306359"},"modified":"2020-06-24T09:01:42","modified_gmt":"2020-06-24T13:01:42","slug":"cipo-alho-da-amazonia-reforca-sistema-imunologico-de-alevinos-de-pirarucus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2020\/06\/24\/cipo-alho-da-amazonia-reforca-sistema-imunologico-de-alevinos-de-pirarucus\/","title":{"rendered":"Cip\u00f3-alho da Amaz\u00f4nia refor\u00e7a sistema imunol\u00f3gico de alevinos de pirarucus"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_306360\" aria-describedby=\"caption-attachment-306360\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306360\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal-600x428.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal-768x548.jpg 768w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal-100x70.jpg 100w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal-696x496.jpg 696w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal-589x420.jpg 589w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/85bc9db86c7dfa06d9d857716fc785e4_agrorondonia_cacoal.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306360\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma planta medicinal t\u00edpica da Amaz\u00f4nia, que exala cheiro de alho, apresentou resultados positivos na engorda, crescimento e resist\u00eancia imunol\u00f3gica de alevinos de pirarucus (<em>Arapaimas gigas<\/em>) durante testes feitos em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A equipe da\u00a0Embrapa Amap\u00e1\u00a0constatou que o extrato das folhas do cip\u00f3-alho (<em>Mansoa alliacea<\/em>), borrifado na ra\u00e7\u00e3o comercial destinada ao peixe carn\u00edvoro, melhorou o desempenho de crescimento e a sanidade dos animais alimentados no experimento e aumentou o seu peso em cerca de 19%. A resist\u00eancia a infec\u00e7\u00f5es por bact\u00e9rias de ocorr\u00eancia frequente na piscicultura tamb\u00e9m mostrou-se maior.<\/p>\n<p>Os alevinos adquiridos de\u00a0uma piscicultura comercial\u00a0foram alimentados com o composto experimental durante um m\u00eas, quatro vezes ao dia, com dieta contendo 0,4; 8,0 e 12,0 gramas de extrato de cip\u00f3-alho para cada quilo de ra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os melhores resultados foram observados na engorda dos peixes alimentados com a dieta contendo\u00a0\u00a08,0 gramas\u00a0de extrato da planta para cada quilo de ra\u00e7\u00e3o. Houve aumento no peso final, ganho de peso di\u00e1rio, taxa de crescimento espec\u00edfico, efici\u00eancia alimentar,\u00a0n\u00edveis plasm\u00e1ticos de glicose, triglicer\u00eddeos, prote\u00ednas totais e globulinas, mas uma redu\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis plasm\u00e1ticos de albumina no sangue dos peixes.<\/p>\n<p>Com o uso de extrato de cip\u00f3-alho na ra\u00e7\u00e3o, houve tamb\u00e9m uma maior resist\u00eancia imunol\u00f3gica do peixe \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por bact\u00e9rias\u00a0<em>Aeromonas hydrophila\u00a0<\/em>e a condi\u00e7\u00f5es de estresse de manejo.<\/p>\n<p>\u201cObservamos um aumento do peso dos alevinos\u00a0em torno de 19%.\u00a0\u00a0Peixe mais gordo \u00e9 interessante para o piscicultor, que lucra mais. O cip\u00f3-alho na ra\u00e7\u00e3o melhorou a resist\u00eancia imunol\u00f3gica dos alevinos a bact\u00e9rias que s\u00e3o frequentes em pirarucus em pisciculturas. Geralmente, os alevinos sofrem com infec\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias e estresse de manejo, porque \u00e9 frequente o manuseio dos peixes nas cria\u00e7\u00f5es\u201d, explica o pesquisador da Embrapa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe?p_p_id=buscaempregado_WAR_pcebusca6_1portlet&amp;p_p_lifecycle=1&amp;p_p_state=normal&amp;p_p_mode=view&amp;p_p_col_id=column-1&amp;p_p_col_count=1&amp;_buscaempregado_WAR_pcebusca6_1portlet_javax.portlet.action=buscarEmpregados&amp;_buscaempregado_WAR_pcebusca6_1portlet_delta=10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Tavares Dias<\/a>, respons\u00e1vel pelos estudos conduzidos em conformidade com os princ\u00edpios da Sociedade Brasileira da Ci\u00eancia em Animais de Laborat\u00f3rio\u00a0(<a href=\"https:\/\/www.sbcal.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SBCAL<\/a>) e aprovado pelo Comit\u00ea de \u00c9tica no Uso de Animais da Universidade Federal do Acre (<a href=\"http:\/\/www.ufac.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ufac<\/a>).<\/p>\n<p>A ideia desse experimento in\u00e9dito surgiu quando a equipe da Embrapa Amap\u00e1 se debru\u00e7ava em pesquisas de laborat\u00f3rio para testar imunoestimulantes, visando \u00e0 melhoria do crescimento de alevinos de pirarucu e, ao mesmo tempo, ao aumento da resist\u00eancia imunol\u00f3gica dos peixes.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1vamos usando imunoestimulantes comerciais e tivemos a ideia de usar um produto regional amaz\u00f4nico e antes hav\u00edamos trabalhado com alho usado como tempero na cozinha nos estudos com tambaqui.\u00a0\u00a0Assim, acabamos incluindo o extrato do cip\u00f3-alho na ra\u00e7\u00e3o dos alevinos de pirarucu\u201d, recorda Tavares.<\/p>\n<p><strong>PERSPECTIVAS<\/strong><\/p>\n<p>A professora M\u00e1rcia Kelly Reis Dias participou como bolsista da pesquisa para desenvolver sua tese de doutorado em Biodiversidade Tropical, pela Universidade Federal do Amap\u00e1 (<a href=\"http:\/\/www.unifap.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Unifap<\/a>). Ela \u00e9 otimista quanto ao uso desse insumo para alevinos de pirarucu. \u201cAs perspectivas s\u00e3o as melhores, por ser uma planta de f\u00e1cil aquisi\u00e7\u00e3o, pass\u00edvel de ser encontrada at\u00e9 mesmo na beira de estradas e fazendas. Sem falar que o extrato \u00e9 produzido \u00e0 base de \u00e1lcool, que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um produto caro.\u201d<\/p>\n<p>Reis destaca ainda que diversos estudos demonstram a import\u00e2ncia do alho no sistema imunol\u00f3gico de peixes em cultivo. \u201cNosso trabalho comprovou que o cip\u00f3-alho, que tamb\u00e9m tem alicina no seu composto, melhora o desempenho zoot\u00e9cnico dos peixes, o crescimento e o sistema imunol\u00f3gico, deixando-os mais resistentes a doen\u00e7as. S\u00e3o v\u00e1rios pontos positivos que os produtores podem levar em considera\u00e7\u00e3o para come\u00e7ar a colocar em pr\u00e1tica o uso desse extrato \u00e0 base do cip\u00f3-alho.\u201d\u00a0A alicina \u00e9 um composto do cip\u00f3-alho que induz ao aumento no consumo de ra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IMUNOESTIMULANTES<\/strong><\/p>\n<p>O uso de produtos imunoestimulantes como o cip\u00f3-alho, na dieta\u00a0de peixes cultivados, para melhorar o desempenho zoot\u00e9cnico e a sa\u00fade dos animais, tem sido estudado nos \u00faltimos 30 anos. Ao mesmo tempo, a ind\u00fastria da aquicultura investe em novos produtos para ganho de crescimento e imunidade de peixes,\u00a0visando reduzir os n\u00edveis de infec\u00e7\u00f5es causadas por parasitos e\u00a0outros\u00a0pat\u00f3genos e, assim, garantir o incremento da produ\u00e7\u00e3o e produtividade na piscicultura.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o de imunoestimulantes ocorre devido aos benef\u00edcios verificados, como estabelecimento da microbiota intestinal, aumento da taxa de crescimento, redu\u00e7\u00e3o do estresse, melhoria da sa\u00fade dos peixes e redu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as parasit\u00e1rias e infeciosas, conforme constatou a professora M\u00e1rcia Reis, durante sua pesquisa de doutorado.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies de\u00a0<em>Aeromonas<\/em>\u00a0s\u00e3o o grupo de bact\u00e9rias que mais tem causado problemas no cultivo intensivo de peixes, levando a elevadas taxas de mortalidade em diferentes esp\u00e9cies de produ\u00e7\u00e3o intensiva.<\/p>\n<p>Entre as bact\u00e9rias, a\u00a0<em>Aeromonas hydrophila<\/em>\u00a0\u00e9 frequente e causadora de v\u00e1rios danos aos peixes infectados. A Embrapa Amap\u00e1 vem estudando os antibi\u00f3ticos com capacidade para tratar essas bact\u00e9rias em pirarucus.\u00a0\u201cOs imunoestimulantes podem auxiliar na redu\u00e7\u00e3o desses processos infecciosos que causam preju\u00edzos no cultivo de pirarucus, reduzindo a mortalidade e melhorando os par\u00e2metros de crescimento dos animais na piscicultura\u201d, pontua a professora.<\/p>\n<p>Ela\u00a0considera que essa inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica pode contribuir para resolver alguns entraves do cultivo intensivo de pirarucu. \u201cPor isso, h\u00e1 necessidade de melhorias durante a alevinagem do pirarucu, usando por exemplo suplementa\u00e7\u00e3o na alimenta\u00e7\u00e3o com imunoestimulantes, a exemplo do extrato de cip\u00f3-alho\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>PREPARO<\/strong><\/p>\n<p>Uma grande vantagem do cip\u00f3-alho como insumo da ra\u00e7\u00e3o para alevinos de pirarucu \u00e9 a facilidade para o preparo do extrato. Primeiro, \u00e9 preciso colher folhas frescas da planta, que \u00e9 abundante na flora da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Dias explica que, no caso da pesquisa, as folhas foram trituradas em equipamentos laboratoriais para extra\u00e7\u00e3o hidroalco\u00f3lica do produto, mas tamb\u00e9m podem ser maceradas em pil\u00e3o (piladas) no ambiente dom\u00e9stico e em pisciculturas. \u201cBasta pilar bastante at\u00e9 ficarem bem trituradas. Para cada um grama de planta macerada coloca-se dez mililitros de \u00e1lcool et\u00edlico a 70% (solvente). Essa mistura deve ser guardada por 12 horas em temperatura ambiente. \u00c9 o tempo suficiente para o \u00e1lcool retirar as propriedades de que precisamos dessas folhas, da\u00ed o extrato est\u00e1 quase pronto\u201d, detalha o pesquisador.<\/p>\n<p>O passo seguinte \u00e9 filtr\u00e1-lo, em papel de filtro e, em seguida, mistur\u00e1-lo \u00e0 ra\u00e7\u00e3o para peixes carn\u00edvoros, como o pirarucu. Uma alternativa \u00e9 usar pano bem limpo e fino para coar\u00a0o extrato. A ra\u00e7\u00e3o deve ser seca por 24 horas em temperatura ambiente, e, depois, guardada no refrigerador a 4 graus Celsius.<\/p>\n<p><strong>GIGANTE DA AMAZ\u00d4NIA<\/strong><\/p>\n<div>\n<p>End\u00eamico da Bacia Amaz\u00f4nica, o pirarucu \u00e9 um peixe carn\u00edvoro que apresenta boas caracter\u00edsticas para a cria\u00e7\u00e3o intensiva, tem facilidade para se adaptar \u00e0 ra\u00e7\u00e3o e cresce r\u00e1pido. T\u00e3o r\u00e1pido que pode chegar a pesar entre sete e dez quilos no primeiro ano de cultivo, sendo conhecido tamb\u00e9m como o gigante da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tem um alto rendimento de fil\u00e9: acima de 45%. As pesquisas apontam altos \u00edndices de aceita\u00e7\u00e3o no mercado consumidor. Mas\u00a0esses diferenciais positivos n\u00e3o t\u00eam sido suficientes para colocar o pirarucu no topo da piscicultura nacional. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (<a href=\"http:\/\/www.ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">IBGE<\/a>) de 2018, h\u00e1 cerca de 3.246 pisciculturas de pirarucu distribu\u00eddas em todas as regi\u00f5es do Brasil. Por\u00e9m, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa, quando comparada \u00e0 de outras esp\u00e9cies nativas. Os estudos apontam como causas para a limita\u00e7\u00e3o as dificuldades de dom\u00ednio da reprodu\u00e7\u00e3o do pirarucu em cativeiro e doen\u00e7as que causam grande mortalidade na primeira fase do cultivo, a alevinagem.<\/p>\n<p>Estudo do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (<a href=\"https:\/\/www.sebrae.com.br\/sites\/PortalSebrae\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sebrae<\/a>) indica que problemas sanit\u00e1rios tamb\u00e9m prejudicam o sucesso da produ\u00e7\u00e3o desse peixe importante para a piscicultura brasileira e amaz\u00f4nica, pois as doen\u00e7as podem ser respons\u00e1veis por significativas perdas econ\u00f4micas, levando o produtor ao desest\u00edmulo na atividade de cultivo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Uma planta medicinal t\u00edpica da Amaz\u00f4nia, que exala cheiro de alho, apresentou resultados positivos na engorda, crescimento e resist\u00eancia imunol\u00f3gica de alevinos de pirarucus (Arapaimas gigas) durante testes feitos em laborat\u00f3rio. 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