{"id":308191,"date":"2020-07-13T10:00:19","date_gmt":"2020-07-13T14:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=308191"},"modified":"2020-07-13T10:00:19","modified_gmt":"2020-07-13T14:00:19","slug":"preco-dos-alimentos-sobe-tres-vezes-mais-do-que-inflacao-em-um-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2020\/07\/13\/preco-dos-alimentos-sobe-tres-vezes-mais-do-que-inflacao-em-um-ano\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7o dos alimentos sobe tr\u00eas vezes mais do que infla\u00e7\u00e3o em um ano"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_308192\" aria-describedby=\"caption-attachment-308192\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-308192 size-medium\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/folhapress-prato-feito-1700-12072020143757769-300x199.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/folhapress-prato-feito-1700-12072020143757769-300x199.jpeg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/folhapress-prato-feito-1700-12072020143757769.jpeg 460w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-308192\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o oficial, medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), apresenta estabilidade em 2020.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao se considerar apenas a alimenta\u00e7\u00e3o, o impacto dos pre\u00e7os foi relevante nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>Os custos com alimenta\u00e7\u00e3o subiram tr\u00eas vezes mais do que o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo) no intervalo de um ano, segundo dados do pr\u00f3prio instituto.<\/p>\n<p>Enquanto o \u00edndice acumulado em 12 meses atingiu 2,13%, o grupo alimenta\u00e7\u00e3o marcou 7,61% no mesmo per\u00edodo. Ou seja, tr\u00eas vezes mais do que o \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. As carnes, por exemplo, est\u00e3o 19,6% mais caras em rela\u00e7\u00e3o a junho do ano passado.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 muito grave porque esta infla\u00e7\u00e3o afeta diretamente a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, explica o economista do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas), Andr\u00e9 Braz.<\/p>\n<p>Para o economista, o resultado mostra o quanto a alimenta\u00e7\u00e3o pressiona o custo de vida dos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cComo a distribui\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 muito ruim, \u00e9 na alimenta\u00e7\u00e3o que o pobre sente a infla\u00e7\u00e3o. Ele esgota o dinheiro comprando alimentos e foi o que mais subiu nos \u00faltimos meses.\u201d<\/p>\n<p>Braz ainda destaca que, para a fam\u00edlia de baixa renda, \u201cpouco importa se a gasolina ficou cara ou barata, se o pre\u00e7o da passagem a\u00e9rea caiu, se as escolas v\u00e3o dar um desconto porque s\u00e3o itens que n\u00e3o est\u00e3o na cesta de consumo deles\u201d.<\/p>\n<p>Em junho, o grupo de alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas registrou alta nos seguintes alimentos:<\/p>\n<p>\u2022 Arroz (2,74%);<br \/>\n\u2022 Carnes (1,19%);<br \/>\n\u2022 Feij\u00e3o-carioca (4,96%);<br \/>\n\u2022 Feij\u00e3o-mulatinho (7,1%)<br \/>\n\u2022 Feij\u00e3o-preto (6,75%); e<br \/>\n\u2022 Leite longa vida (2,33%);<br \/>\n\u2022 Queijo (2,48%).<\/p>\n<p>No acumulado do ano \u2013 de janeiro a junho \u2013 os dez alimentos que mais registraram eleva\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os foram:<\/p>\n<p>\u2022 Abobrinha (46,28%);<br \/>\n\u2022 a\u00e7a\u00ed (24,68%).<br \/>\n\u2022 Alho (38,5%);<br \/>\n\u2022 Batata-doce (28,56%);<br \/>\n\u2022 Batata-inglesa (66,47%);<br \/>\n\u2022 Cebola (94,72%);<br \/>\n\u2022 Cenoura (52,73%);<br \/>\n\u2022 Coentro (25,66%); e<br \/>\n\u2022 Feij\u00e3o-carioca (26,62%);<br \/>\n\u2022 Feij\u00e3o-fradinho (28,1%);<br \/>\n\u2022 Feij\u00e3o-mulatinho (33,45%);<br \/>\n\u2022 feij\u00e3o-preto (27,92%);<br \/>\n\u2022 Manga (67,12%);<br \/>\n\u2022 Morango (42,71%);<br \/>\n\u2022 Peixe-tainha (40,81%);<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Mais pobres pagam o pre\u00e7o da pandemia<\/h3>\n<\/div>\n<p>A professora de economia do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) Juliana Inhasz confirma a tese do economista do Ibre\/FGV e diz acreditar que o aumento consider\u00e1vel no pre\u00e7o da comida afeta diretamente o bem-estar dos mais pobres.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte dessa popula\u00e7\u00e3o trabalha na informalidade ou como aut\u00f4nomo e depende da renda do seu servi\u00e7o di\u00e1rio para sustentar a fam\u00edlia\u201d, explica. Por j\u00e1 viverem com pouco, qualquer aumento no pre\u00e7o dos alimentos faz toda a diferen\u00e7a para eles, completa.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem outra alternativa a n\u00e3o ser comprar menos comida ou alimentos de baixa qualidade e valor nutricional.\u201d<\/p>\n<p>Como reflexo desse movimento, a popula\u00e7\u00e3o adoece mais e tem problemas de sa\u00fade diretamente ligados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o: colesterol, obesidade e problemas cardiovasculares, ressalta a professora.<\/p>\n<p>Para Juliana, os mais pobres est\u00e3o sendo os mais afetados pela pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas de classe m\u00e9dia e alta deixaram de gastar com vestu\u00e1rio, lazer, mas mantiveram a alimenta\u00e7\u00e3o. Os mais pobres reduziram a comida\u201d, diz. A professora sustenta que o \u201cpre\u00e7o da pandemia vem sendo pago pela popula\u00e7\u00e3o mais pobre\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEla adoece mais porque n\u00e3o pode fazer o isolamento social, porque precisa usar o transporte p\u00fablico, n\u00e3o est\u00e1 se alimentando bem e n\u00e3o tem plano de sa\u00fade. Ela sofre mais com a desigualdade social\u201d, acrescenta.<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Alta dos alimentos eleva a fome no Brasil<\/h3>\n<\/div>\n<p>Para o soci\u00f3logo especialista em consumo Fabio Mariano, o impacto da eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos \u00e9 extremamente significativo para as classes populares chamadas de baixa renda (C-, D e E).<\/p>\n<p>\u201cA alta no pre\u00e7o dos alimentos est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 falta de acesso aos alimentos, ao aumento de subnutri\u00e7\u00e3o e da fome no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>Mariano afirma que nesses grupos h\u00e1 a concentra\u00e7\u00e3o de um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas que trabalha exclusivamente para conseguir colocar comida dentro de casa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um movimento muito comum. A gente tem uma ocorr\u00eancia cont\u00ednua, frequente e majorit\u00e1ria de pessoas nessas classes que contam apenas com uma renda di\u00e1ria, ou seja, ela trabalha, recebe no dia e s\u00f3 tem aquela fonte de renda para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 comum, segundo Mariano, ouvimos de profissionais que s\u00e3o enquadrados nessas classes \u2013 trabalhador que atua com entrega di\u00e1ria, em oficina mec\u00e2nica, vendedor de porta a porta, entre outros \u2013, a frase: \u201choje eu j\u00e1 garanti o nosso jantar, ou j\u00e1 garanti o caf\u00e9 de amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem como a renda dele aumentar. N\u00e3o tem margem de negocia\u00e7\u00e3o, abertura, n\u00e3o tem a menor possibilidade disso&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se o pre\u00e7o do alimento aumentou, mas sua renda n\u00e3o, Mariano ressalta que ele ter\u00e1 de trabalhar mais. &#8220;O problema \u00e9 que essas pessoas j\u00e1 t\u00eam uma carga hor\u00e1ria elevada e atuam no seu limite.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A infla\u00e7\u00e3o oficial, medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), apresenta estabilidade em 2020. Por\u00e9m, ao se considerar apenas a alimenta\u00e7\u00e3o, o impacto dos pre\u00e7os foi relevante nos \u00faltimos 12 meses. 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