{"id":325284,"date":"2021-01-15T08:30:09","date_gmt":"2021-01-15T12:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=325284"},"modified":"2021-01-15T08:37:27","modified_gmt":"2021-01-15T12:37:27","slug":"pesquisa-traca-panorama-da-qualidade-do-leite-em-rondonia-e-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2021\/01\/15\/pesquisa-traca-panorama-da-qualidade-do-leite-em-rondonia-e-acre\/","title":{"rendered":"Pesquisa tra\u00e7a panorama da qualidade do leite em Rond\u00f4nia e Acre"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_325285\" aria-describedby=\"caption-attachment-325285\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-325285\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/5f4bddef2d4aa4157f589221dc06a573_agrorondonia_cacoal-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/5f4bddef2d4aa4157f589221dc06a573_agrorondonia_cacoal-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/5f4bddef2d4aa4157f589221dc06a573_agrorondonia_cacoal-600x399.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/5f4bddef2d4aa4157f589221dc06a573_agrorondonia_cacoal-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/5f4bddef2d4aa4157f589221dc06a573_agrorondonia_cacoal-696x462.jpg 696w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/5f4bddef2d4aa4157f589221dc06a573_agrorondonia_cacoal-632x420.jpg 632w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/5f4bddef2d4aa4157f589221dc06a573_agrorondonia_cacoal.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-325285\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es geradas pela pesquisa t\u00eam subsidiado a tomada de decis\u00e3o por ind\u00fastrias e agroind\u00fastrias e tamb\u00e9m a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor, com foco na melhoria da qualidade do leite e adequa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria prima aos limites dos indicadores higi\u00eanico-sanit\u00e1rios definidos na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o sete anos de trabalhos em estudos epidemiol\u00f3gicos cont\u00ednuos e que s\u00e3o in\u00e9ditos nos estados de Rond\u00f4nia e Acre, gerando dados confi\u00e1veis e um panorama da qualidade do leite da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Juliana Dias, pesquisadora da Embrapa Rond\u00f4nia que conduz estas a\u00e7\u00f5es, os estudos realizados demonstram as regi\u00f5es e perfis de propriedades que devem ser priorizados em programas de melhoria da qualidade pela iniciativa privada e p\u00fablica.<\/p>\n<p>Aponta que os maiores desafios para a qualidade do leite nestes estados s\u00e3o a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de ordenha e adequa\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de resfriamento do leite, principalmente em tanques coletivos. Neste caso, o fator de risco \u00e9 quando a entrega do leite no tanque coletivo \u00e9 realizada por intermedi\u00e1rios, resultando em atraso na refrigera\u00e7\u00e3o do leite e falhas no manejo dos lat\u00f5es.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a que as tecnologias e conhecimentos j\u00e1 dispon\u00edveis precisam chegar aos produtores e serem adotados para a melhoria deste cen\u00e1rio. \u201cA conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas exige esfor\u00e7o conjunto de todas as institui\u00e7\u00f5es e ind\u00fastrias que fazem parte da cadeia produtiva do leite\u201d, acrescenta Juliana Dias.<\/p>\n<p>Estas boas pr\u00e1ticas nada mais s\u00e3o que recomenda\u00e7\u00f5es que podem ser aplicadas em qualquer sistema de produ\u00e7\u00e3o, com foco principal na seguran\u00e7a alimentar e na qualidade higi\u00eanico-sanit\u00e1ria do leite produzido. Ou seja, \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o ou a redu\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o do leite durante a sua produ\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m no armazenamento.<\/p>\n<p>Uma boa ordenha \u00e9 essencial para a obten\u00e7\u00e3o de leite de maneira r\u00e1pida, higi\u00eanica e sem causar les\u00f5es nos tetos ou espalhar doen\u00e7as entre as vacas. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso assegurar que o leite ser\u00e1 adequadamente armazenado, pois ele precisa ser resfriado imediatamente ap\u00f3s a ordenha. A Embrapa disp\u00f5e de\u00a0<a href=\"https:\/\/ainfo.cnptia.embrapa.br\/digital\/bitstream\/item\/170535\/1\/Cartilha-Boas-Praticas-de-ordenha.pdf\">cartilhas<\/a>\u00a0com as recomenda\u00e7\u00f5es que precisam ser adotadas e tem realizado treinamentos com esse foco.<\/p>\n<p>A boa qualidade dos produtos l\u00e1cteos est\u00e1 diretamente associada \u00e0 qualidade e composi\u00e7\u00e3o do leite cru. Nenhum processo industrial \u00e9 capaz de alterar isso. Mat\u00e9ria prima com qualidade garante um alimento seguro e livre de contaminantes, maior valor nutricional para o consumidor, melhor rendimento na produ\u00e7\u00e3o industrial e aumento da vida de prateleira. Da \u201cporteira pra dentro\u201d, significa mais renda e qualidade de vida para os produtores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, normas para qualidade do leite foram estabelecidas pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) em 2002 e, em maio de 2019, entraram em vigor as Instru\u00e7\u00f5es Normativas 76 e 77\/2018, revogando as normativas anteriores e estabelecendo novas diretrizes para o atendimento aos padr\u00f5es de qualidade, exigindo do setor atua\u00e7\u00e3o direcionada e \u00e1gil.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de leite com maior efici\u00eancia e qualidade \u00e9 fundamental para a perman\u00eancia dos produtores nos sistemas produtivos e fortalecimento do agroneg\u00f3cio leite na regi\u00e3o\u201d, aponta a pesquisadora Juliana Dias.<\/p>\n<p><strong>CADEIA DO LEITE EM RO E AC<\/strong><\/p>\n<p>Rond\u00f4nia \u00e9 o maior produtor de leite da regi\u00e3o Norte e o s\u00e9timo do pa\u00eds. A atividade tem grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social no estado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica \u2013 IBGE demonstram que, nos \u00faltimos dez anos, a produ\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria prima no estado cresceu 51%, maior que a taxa de crescimento da regi\u00e3o Norte (33,8%) e do Brasil (19,8%), no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em 2019, essa produ\u00e7\u00e3o foi de 1,129 bilh\u00e3o de litros de leite, sendo as microrregi\u00f5es de Ji-Paran\u00e1 e Porto Velho as maiores produtoras de leite do estado. De acordo com os dados da Ag\u00eancia de Defesa Sanit\u00e1ria Agrosilvopastoril do Estado de Rond\u00f4nia &#8211; IDARON, em 2019 aproximadamente 29 mil estabelecimentos rurais conduzidos por 31 mil produtores est\u00e3o envolvidos na atividade leiteira, sendo caracterizados como de base familiar.<\/p>\n<p>O estado apresenta ainda a melhor produtividade da regi\u00e3o, em torno de 1.355 kg\/vaca\/ano em 2019. Dados do IBGE apontam que as ind\u00fastrias l\u00e1cteas com Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF) s\u00e3o respons\u00e1veis pelo processamento de 94,8% do leite industrializado de Rond\u00f4nia e, de acordo com os dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Gerenciais do Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIGSIF, 2019), est\u00e3o instaladas no estado 37 ind\u00fastrias l\u00e1cteas SIF, contribuindo para a moderniza\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n<p>Avan\u00e7os estruturais com foco na melhoria da qualidade do leite foram observados nos \u00faltimos anos em Rond\u00f4nia, como a aquisi\u00e7\u00e3o de tanques de resfriamento, melhoria das estradas e qualidade de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>No entanto, ainda h\u00e1 predomin\u00e2ncia de produtores com baixo n\u00edvel tecnol\u00f3gico para a produ\u00e7\u00e3o de leite, o que resulta em baixa produtividade \u2013 m\u00e9dia de 5,0 litros de leite por vaca por dia \u2013 e alta sazonalidade de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com os dados da Idaron (2019), 57% dos produtores produzem at\u00e9 50 litros de leite\/dia, e o estrato de produ\u00e7\u00e3o de leite at\u00e9 100 litros leite\/dia corresponde \u00e0 85% dos produtores e 59% do volume total produzido.<\/p>\n<p>Em Rond\u00f4nia, devido \u00e0 predomin\u00e2ncia de produtores com baixa escala de produ\u00e7\u00e3o, a estrat\u00e9gia adotada para o resfriamento do leite produzido \u00e9 o uso de tanques coletivos. De acordo com os dados da Idaron, em novembro de 2019, o n\u00famero de tanques de resfriamento utilizados em Rond\u00f4nia era de 6921 e 20.542 produtores vinculados, sendo 88% destes ligados \u00e0 tanques coletivos. As ind\u00fastrias l\u00e1cteas com Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Estadual e Municipal em Rond\u00f4nia s\u00e3o caracterizadas predominantemente como agroind\u00fastrias familiares.<\/p>\n<p>O estado vizinho, o Acre, tem pouca representatividade em volume de leite produzido \u2013 1,9% da produ\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Norte \u2013, a atividade tamb\u00e9m \u00e9 de base familiar e caracterizada como de baixo n\u00edvel tecnol\u00f3gico. Esta cadeia produtiva tem grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social e envolve 6.514 fam\u00edlias na atividade.<\/p>\n<p>Segundo dados do IBGE, o estado produziu, em 2018, 43,3 milh\u00f5es de litros de leite. De acordo com os dados do Instituto de Defesa Agropecu\u00e1ria e Florestal do Acre (IDAF), est\u00e3o instaladas no estado 11 ind\u00fastrias l\u00e1cteas com Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Estadual.<\/p>\n<p><strong>RESULTADOS DO ESTUDOS<\/strong><\/p>\n<p>Em trabalhos realizados pela Embrapa Rond\u00f4nia, de 2016 a 2019, foram utilizados resultados de an\u00e1lises de amostras de leite de tanques de refrigera\u00e7\u00e3o vinculados \u00e0s ind\u00fastrias com Sistema de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF) de Rond\u00f4nia e em rebanhos fornecedores de agroind\u00fastrias com Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Estadual (SIE) de Rond\u00f4nia e Acre. Para o estudo realizado em parceria com ind\u00fastrias SIF, foram obtidos os resultados de an\u00e1lises de leite no per\u00edodo seco e chuvoso.<\/p>\n<p>Nas agroind\u00fastrias de leite SIE foram avaliadas amostras de leite total dos rebanhos e aplicado question\u00e1rio epidemiol\u00f3gico aos produtores de leite para an\u00e1lise dos fatores de risco. Os indicadores avaliados nos estudos foram: Contagem Padr\u00e3o em Placas (CPP), Contagem de C\u00e9lulas Som\u00e1ticas (CCS), gordura, prote\u00edna, lactose, extrato seco total e extrato seco desengordurado.<\/p>\n<p>Em Rond\u00f4nia, foram avaliados indicadores de qualidade do leite de 566 tanques de refrigera\u00e7\u00e3o vinculados \u00e0s ind\u00fastrias SIF, representando 2.209 produtores e 23.772 dados de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Os dados mostraram as \u00e1reas de baixa e alta CCS, CPP e componentes do leite nas microrregi\u00f5es avaliadas, indicando a regi\u00e3o de Machadinho D\u2019Oeste como \u00e1rea priorit\u00e1ria para o controle da mastite, e a microrregi\u00e3o de Ariquemes e a oeste da microrregi\u00e3o de Porto Velho, como \u00e1rea de interven\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o da contagem bacteriana.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Juliana Dias, dentre os indicadores avaliados, o atendimento aos limites de contagem bacteriana de tanques \u00e9 o maior desafio, sendo a CPP significativamente mais elevada nos tanques coletivos com mais de cinco produtores, indicando que o uso deste tipo de tanque deve ser desestimulado. Tamb\u00e9m foi observada redu\u00e7\u00e3o significativa dos teores de componentes do leite no per\u00edodo seco comparado ao chuvoso, exceto para lactose, demonstrando a import\u00e2ncia de suplementa\u00e7\u00e3o das vacas em lacta\u00e7\u00e3o no per\u00edodo seco.<\/p>\n<p>No estudo, a caracteriza\u00e7\u00e3o de produtores fornecedores de agroind\u00fastrias SIE de Rond\u00f4nia e Acre demonstraram caracter\u00edsticas similares, com predom\u00ednio de produtores familiares e baixa ado\u00e7\u00e3o de tecnologias e boas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica comum \u00e9 o predom\u00ednio da entrega do leite na agroind\u00fastria em lat\u00f5es, indicando a necessidade de adequa\u00e7\u00e3o aos procedimentos definidos na legisla\u00e7\u00e3o, como entrega do leite em lat\u00f5es na ind\u00fastria at\u00e9 duas horas ap\u00f3s a conclus\u00e3o da ordenha, ou o resfriamento do leite em tanques instalados na propriedade.<\/p>\n<p>O trabalho realizado em agroind\u00fastrias SIE de Rond\u00f4nia foi executado pela Embrapa Rond\u00f4nia em parceria com a IDARON, em que foram avaliados 178 produtores vinculados \u00e0 16 agroind\u00fastrias localizadas em seis microrregi\u00f5es do estado.<\/p>\n<p>Os resultados demonstraram um retrato da situa\u00e7\u00e3o da qualidade do leite nas agroind\u00fastrias do estado e as pr\u00e1ticas que devem ser priorizadas para a melhoria da qualidade da mat\u00e9ria prima, como a adequa\u00e7\u00e3o dos procedimentos de lavagem e manuten\u00e7\u00e3o de ordenha mec\u00e2nica, ado\u00e7\u00e3o de desinfec\u00e7\u00e3o dos tetos antes da ordenha dos animais e lavagem\/acondicionamento adequado de lat\u00f5es por produtores e ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Os fatores de risco associados \u00e0 mastite subcl\u00ednica estavam relacionados ao maior grau de tecnifica\u00e7\u00e3o dos rebanhos, caracterizados por possu\u00edrem ra\u00e7a especializada para leite e ado\u00e7\u00e3o de ordenha mec\u00e2nica, indicando que este perfil de propriedade deve ser priorizado em a\u00e7\u00f5es de controle e preven\u00e7\u00e3o da mastite.<\/p>\n<p>Nas agroind\u00fastrias SIE no Acre, foram avaliados 92 produtores fornecedores de cinco ind\u00fastrias localizadas em tr\u00eas microrregi\u00f5es do estado. Neste estudo, foram observadas altas contagens de bact\u00e9rias em todas as microrregi\u00f5es, demonstrando a import\u00e2ncia de ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas e adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 log\u00edstica de entrega do leite na ind\u00fastria.<\/p>\n<p>O estudo de fatores de risco associados \u00e0 qualidade microbiol\u00f3gica do leite indicou que devem ser priorizados: o uso de \u00e1gua de boa qualidade na ordenha, lavagem e acondicionamento adequado de baldes\/lat\u00f5es e realizar a desinfec\u00e7\u00e3o dos tetos antes da ordenha.<\/p>\n<p>Este estudo foi realizado numa parceria entre as Unidades da Embrapa de Rond\u00f4nia e Acre e possibilitou caracterizar as propriedades e identificar os principais fatores associados aos indicadores higi\u00eanico-sanit\u00e1rios do leite, fornecendo subs\u00eddios para o direcionamento das a\u00e7\u00f5es nas regi\u00f5es avaliadas.<\/p>\n<p>De acordo com o chefe de Transfer\u00eancia de Tecnologia da Embrapa Acre, Bruno Pena, com o diagn\u00f3stico da qualidade do leite do Acre em m\u00e3os, \u00e9 poss\u00edvel que as institui\u00e7\u00f5es do setor atuem de forma mais direcionada e com mais efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Os dados mostram que a mastite n\u00e3o \u00e9 um problema grave no estado, no entanto, a contagem bacteriana do leite foi alta, o que pode ser solucionado com a\u00e7\u00f5es, junto aos produtores, de pr\u00e1ticas de higiene na ordenha.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o maior levantamento, dos \u00faltimos dez anos, na cadeia do leite do Acre. Unindo for\u00e7as com parceiros foi poss\u00edvel fazer essa radiografia da condi\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria do leite produzido no estado e agora \u00e9 agir com base nos apontamentos\u201d, comenta Bruno Pena.<\/p>\n<p><strong>DIAGN\u00d3STICO DA PESQUISA E USO NO CAMPO<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhos envolvendo estudos epidemiol\u00f3gicos de indicadores de qualidade do leite em Rond\u00f4nia e Acre t\u00eam envolvido esfor\u00e7os e a intera\u00e7\u00e3o de elos da cadeia como produtores, pesquisa, extens\u00e3o rural, ind\u00fastria, empresas e o poder p\u00fablico e os resultados obtidos t\u00eam sido constantemente compartilhados com toda a cadeia por meio de reuni\u00f5es t\u00e9cnicas, palestras, cursos e oficinas.<\/p>\n<p>Nesse processo, foram integradas Unidades da Embrapa, agroind\u00fastrias l\u00e1cteas, Secretaria de Estado da Agricultura de Rond\u00f4nia \u2013 SEAGRI, IDARON, Mapa, EMATER-RO, Funda\u00e7\u00e3o Rond\u00f4nia de Amparo ao Desenvolvimento das A\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas e Tecnol\u00f3gicas e \u00e0 Pesquisa do Estado de Rond\u00f4nia \u2013 FAPERO, entre outros parceiros. As atividades de pesquisa tiveram o apoio financeiro da Embrapa e SEAGRI\/FAPERO e envolveu a forma\u00e7\u00e3o de alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os produtores vinculados a ind\u00fastrias e agroind\u00fastrias, localizados nas \u00e1reas priorit\u00e1rias de atua\u00e7\u00e3o, foi adotado o modelo de oficinas com foco em estrat\u00e9gias para a melhoria da qualidade do leite.<\/p>\n<p>\u201cTivemos uma melhora significativa na qualidade do leite produzido j\u00e1 nos primeiros meses ap\u00f3s as oficinas, isso com o incentivo de ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas simples pelo produtor. A qualidade do leite \u00e9 algo cont\u00ednuo e vamos continuar investindo nisso\u201d, comenta um dos propriet\u00e1rios de uma agroind\u00fastria familiar do munic\u00edpio de Candeias do Jamari, Nanderson Klein.<\/p>\n<p>Para ind\u00fastrias SIF, parceiras nas a\u00e7\u00f5es de pesquisa, como o exemplo do Latic\u00ednio Joia, localizado no munic\u00edpio de Ministro Andreazza, Rond\u00f4nia,\u00a0os trabalhos de pesquisa orientaram a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para atua\u00e7\u00e3o em \u00e1reas priorit\u00e1rias, na adequa\u00e7\u00e3o da log\u00edstica de resfriamento e armazenamento do leite e na sensibiliza\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Os estudos realizados tamb\u00e9m demonstraram o impacto na redu\u00e7\u00e3o da contagem de bact\u00e9rias no leite a partir das estrat\u00e9gias adotadas pela ind\u00fastria, dentre elas a bonifica\u00e7\u00e3o por qualidade do leite implantada em julho de 2015.<\/p>\n<p><strong>BONIFICA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da ind\u00fastria de um pagamento extra para produtores que entregam leite com qualidade comprovada tem motivado a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas no campo e de tecnologias para o aumento da qualidade e tamb\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de leite, beneficiando tanto a ind\u00fastria quanto o produtor e o setor l\u00e1cteo como um todo. No quesito qualidade, s\u00e3o avaliadas, principalmente, a contagem bacteriana(CPP) e\u00a0contagem de c\u00e9lulas som\u00e1ticas (CCS).<\/p>\n<p>Em Rond\u00f4nia, esta iniciativa foi tomada pelo latic\u00ednio Joia. Al\u00e9m do pagamento de bonifica\u00e7\u00e3o pelos indicadores de qualidade do leite, outros requisitos como infraestrutura e ado\u00e7\u00e3o de tecnologias tamb\u00e9m s\u00e3o considerados visando melhorar a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0 mat\u00e9ria prima de qualidade.<\/p>\n<p>Estudos realizados pela Embrapa Rond\u00f4nia, no primeiro ano da implanta\u00e7\u00e3o da bonifica\u00e7\u00e3o por qualidade na ind\u00fastria, demonstraram redu\u00e7\u00e3o significativa da contagem bacteriana do leite de tanques comparando os resultados de an\u00e1lise do per\u00edodo chuvoso dos anos de 2015 e 2016. No per\u00edodo, tamb\u00e9m foram observadas mudan\u00e7as no padr\u00e3o espacial da CPP\u00a0<a href=\"https:\/\/www.infoteca.cnptia.embrapa.br\/infoteca\/bitstream\/doc\/1093159\/1\/DiasetalPagamentoporqualidade.pdf\">indicando novas \u00e1reas priorit\u00e1rias de atua\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Com a entrada em vigor da IN76 e IN77, a ind\u00fastria definiu novos crit\u00e9rios para bonifica\u00e7\u00e3o por CPP, visando estimular o atendimento \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o. Esta estrat\u00e9gia refletiu na redu\u00e7\u00e3o de 74,4% da m\u00e9dia geom\u00e9trica de CPP (MGCPP) dos tanques de refrigera\u00e7\u00e3o captados pela ind\u00fastria no per\u00edodo chuvoso de 2019 para 2020, sendo observada mediana da MGCPP de 66.000 UFC\/mL no per\u00edodo chuvoso de 2020.<\/p>\n<p>Em cinco anos do sistema de bonifica\u00e7\u00e3o (2015 &#8211; 2020), o latic\u00ednio aumentou em 75% o volume de leite captado e obteve aumento de 65% de produtores associados.\u00a0 Al\u00e9m disso, o n\u00famero de funcion\u00e1rios foi de 34 para 53. No ano de 2020, a ind\u00fastria captou m\u00e9dia de 33 mil litros leite por dia em oito munic\u00edpios de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>Atualmente, o programa de bonifica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria pode chegar a R$ 0,29, incluindo a bonifica\u00e7\u00e3o pelos resultados da an\u00e1lise dos indicadores de qualidade do leite, uso de ordenha mecanizada, ado\u00e7\u00e3o de sistema rotacionado (piquetes), estrutura de acesso ao tanque e melhoria das casinhas dos tanques de refrigera\u00e7\u00e3o. S\u00e3o centavos a mais que fazem a diferen\u00e7a na renda da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O produtor Valcir Zuqueto, do munic\u00edpio de Cacoal, Rond\u00f4nia, investe na qualidade do leite h\u00e1 quatro anos e tem sido beneficiado pela ind\u00fastria por boas pr\u00e1ticas adotadas. A produ\u00e7\u00e3o de leite em sua propriedade varia de 2.300 a 3.000 litros por m\u00eas.<\/p>\n<p>Em julho ele recebeu o m\u00e1ximo de bonifica\u00e7\u00e3o oferecida pelo latic\u00ednio Joia, 29 centavos por litro de leite. Ele\u00a0\u00e9 um dos que sempre ganha bonifica\u00e7\u00e3o e, ao longo do ano, segundo o produtor, este pagamento extra significa mais renda para que possa investir na propriedade, no rebanho e tamb\u00e9m na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em valores, Valcir recebe, em m\u00e9dia, R$ 660 por m\u00eas apenas em bonifica\u00e7\u00e3o. Isso resulta em, aproximadamente, R$8 mil a mais por ano para a fam\u00edlia. \u201cVale a pena investir na qualidade. A gente se esfor\u00e7a mais, capricha mais na limpeza e ganha com isso. N\u00e3o s\u00f3 a gente, mas a ind\u00fastria e os consumidores tamb\u00e9m, que v\u00e3o ter na mesa um produtor melhor, \u00e9 mais sa\u00fade\u201d, comenta o produtor.<\/p>\n<p>Para o propriet\u00e1rio da ind\u00fastria, Alessandro Rodrigues, este incentivo \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a. \u201cO produtor capricha, se dedica mais e recebe por isso\u201d, explica. Com este trabalho de bonifica\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar onde est\u00e1 o leite de qualidade e trabalhar formas de incentivo e conscientiza\u00e7\u00e3o destes produtores para que atendam aos crit\u00e9rios exigidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Informa\u00e7\u00f5es geradas pela pesquisa t\u00eam subsidiado a tomada de decis\u00e3o por ind\u00fastrias e agroind\u00fastrias e tamb\u00e9m a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor, com foco na melhoria da qualidade do leite e adequa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria prima aos limites dos indicadores higi\u00eanico-sanit\u00e1rios definidos na legisla\u00e7\u00e3o. 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