{"id":332279,"date":"2021-03-31T08:30:54","date_gmt":"2021-03-31T12:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=332279"},"modified":"2021-03-31T08:32:03","modified_gmt":"2021-03-31T12:32:03","slug":"algoritmo-identifica-bovinos-individualmente-no-campo-por-meio-de-imagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2021\/03\/31\/algoritmo-identifica-bovinos-individualmente-no-campo-por-meio-de-imagens\/","title":{"rendered":"Algoritmo identifica bovinos individualmente no campo por meio de imagens"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_332280\" aria-describedby=\"caption-attachment-332280\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-332280\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal-600x428.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal-768x548.jpg 768w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal-100x70.jpg 100w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal-696x496.jpg 696w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal-589x420.jpg 589w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/39f1dea867b14aace49c782a15cd89fe_agrorondonia_cacoal.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-332280\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pecu\u00e1ria do futuro j\u00e1 est\u00e1 fazendo experimentos para tornar vi\u00e1vel a identifica\u00e7\u00e3o individual de animais no campo com o uso de imagens, o que tornar\u00e1 obsoletos os brincos, as tatuagens e as marca\u00e7\u00f5es usadas para esse fim.<\/p>\n<p>A tecnologia \u00e9 similar \u00e0 de reconhecimento facial, empregada em grandes aeroportos para encontrar criminosos. Com ela, um sistema convencional de c\u00e2meras instaladas no campo, cochos, ou mesmo em drones conseguiria captar imagens para identificar em poucos segundos cada animal.<\/p>\n<p>Cientistas foram bem-sucedidos com a ra\u00e7a bovino Pantaneiro. Utilizando um sistema de redes neurais convolucionais (CNN), o estudo empregou tr\u00eas modelos de arquitetura de redes neurais para a identifica\u00e7\u00e3o do bovino Pantaneiro.<\/p>\n<p>Os trabalhos foram liderados pelo cientista da computa\u00e7\u00e3o Fabr\u00edcio de Lima Weber, durante seu mestrado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (<a href=\"http:\/\/www.uems.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UEMS<\/a>). Weber diz que al\u00e9m do bem-estar animal, uma das vantagens do sistema de identifica\u00e7\u00e3o por imagens \u00e9 a economia.<\/p>\n<p>\u201cHoje, os brincos utilizados s\u00e3o importados e o d\u00f3lar anda bastante inst\u00e1vel. O produtor que utiliza esse sistema precisa comprar tamb\u00e9m o bast\u00e3o de leitura do c\u00f3digo impresso nos brincos. Quando o animal perde essa identifica\u00e7\u00e3o no pasto, \u00e9 preciso repor\u201d, detalha o especialista.<\/p>\n<p>\u201cO sistema por imagem poder\u00e1 agilizar o transporte de animais e a emiss\u00e3o da GTA (Guia de Tr\u00e2nsito Animal)\u201d, explica Weber, j\u00e1 vislumbrando a abertura da Rota Bioce\u00e2nica, que ligar\u00e1 o Brasil ao porto do Chile, facilitando o embarque de animais para a \u00c1sia. Estudos anteriores j\u00e1 avaliaram a pesagem de animais por imagens do dorso.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/237065\/urbano-gomes-pinto-de-abreu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Urbano Gomes Pinto de Abreu<\/a>, da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\/pantanal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Embrapa Pantanal<\/a>\u00a0(MS), coautor da publica\u00e7\u00e3o, foram utilizadas imagens capturadas por meio de v\u00eddeos por quatro c\u00e2meras de monitoramento. \u201cDepois foram extra\u00eddas imagens de determinados quadros que continham o objeto de interesse: o dorso, o perfil, a lateral e a face de cada bovino\u201d, conta.<\/p>\n<p>Na etapa de classifica\u00e7\u00e3o foram comparados tr\u00eas modelos conhecidos na literatura de aprendizagem profunda: InceptionResNetV2, Resnet-50 e DenseNet201. Os resultados experimentais mostram que modelos de arquiteturas utilizados na pesquisa alcan\u00e7aram \u00f3timos resultados, chegando a 99,86% de acerto. \u201cOs resultados indicam que os modelos avaliados podem apoiar pesquisadores e pecuaristas no reconhecimento de bovinos Pantaneiros. \u00c9 um m\u00e9todo que colabora para o bem-estar dos animais\u201d, afirma o cientista da Embrapa.<\/p>\n<p>Segundo os autores, tamb\u00e9m ficou evidenciado que modelos de redes neurais convolucionais podem ser base de um sistema de vis\u00e3o computacional, para que a identifica\u00e7\u00e3o dos animais seja feita automaticamente.<\/p>\n<p>Para esse experimento, foram mobilizados 51 animais da ra\u00e7a, de idades variadas e ambos os sexos. As imagens que formam o conjunto de dados foram coletadas no N\u00facleo de Conserva\u00e7\u00e3o de Bovinos Pantaneiros de Aquidauana (Nubopan), na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (<a href=\"http:\/\/www.uems.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UEMS<\/a>).<\/p>\n<p><strong>27 MIL IMAGENS<\/strong><\/p>\n<p>Os v\u00eddeos coletados foram analisados e divididos em 212 v\u00eddeos menores, dos quais foram extra\u00eddos os quadros que continham imagens dos animais para a forma\u00e7\u00e3o do banco com 27.849 imagens dos bovinos Pantaneiros.<\/p>\n<p>As tr\u00eas arquiteturas utilizadas apresentaram taxas de precis\u00e3o que variaram de 98,87% a 99,86% e tempo de processamento de imagens de 13 horas e 14 minutos (m\u00ednimo) a 54 horas e quatro minutos (m\u00e1ximo). Esses c\u00e1lculos consideram duas etapas: a de aprendizagem da m\u00e1quina, quando ela captura e processa as imagens, criando um banco de dados; e a de valida\u00e7\u00e3o, quando imagens in\u00e9ditas s\u00e3o apresentadas \u00e0s m\u00e1quinas para o reconhecimento e identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o sucesso do experimento com o bovino Pantaneiro, Abreu conta que a pr\u00f3xima etapa ser\u00e1 pesquisar os algoritmos que permitam desenvolver a mesma t\u00e9cnica para a identifica\u00e7\u00e3o por imagens de gado Nelore, que representa a ra\u00e7a de corte mais disseminada no Brasil.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, Weber pretende desenvolver um aplicativo para que a identifica\u00e7\u00e3o dos bovinos Pantaneiros j\u00e1 estudados possa aparecer na tela de um celular. \u201cSe o produtor estiver em uma feira agropecu\u00e1ria, por exemplo, ele pode acessar os dados do animal pelo aplicativo e conhecer o hist\u00f3rico da ra\u00e7a, por exemplo, uma informa\u00e7\u00e3o adicional de um banco de dados\u201d, exemplifica o cientista da computa\u00e7\u00e3o. Ele ressalta que o bovino Pantaneiro \u00e9 considerado em risco de extin\u00e7\u00e3o e os projetos em andamento possuem como principal objetivo a conserva\u00e7\u00e3o\u00a0<em>in situ.<\/em><\/p>\n<p><strong>SISTEMA<\/strong><\/p>\n<p>O pecuarista Leonardo de Barros, da fazenda Santa Clara, no Pantanal da Nhecol\u00e2ndia (Corumb\u00e1-MS), diz que esse sistema de identifica\u00e7\u00e3o por imagens seria \u201dum sonho\u201d. \u201cSe pudesse ter um jeito de transmitir esses dados por bluetooth em contato direto com o computador, sem ter que digitar nada, sem ter que passar o bast\u00e3o, seria um sonho\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, os brincos que identificam os animais apresentam algumas dificuldades. \u201c\u00c0s vezes n\u00e3o l\u00ea direito, o animal perde o brinco, a gente tem que reaplicar. Sem contar o estresse da conten\u00e7\u00e3o desses animais para fazer essa identifica\u00e7\u00e3o\u201d, explica Barros.<\/p>\n<p>O pecuarista conta que faz as compras de brincos ao menos duas vezes por ano e entre 7% e 8% dos dispositivos acabam se extraviando no campo, com comprometimento dos dados. Ele destaca tamb\u00e9m que o sistema por imagem iria garantir o bem-estar animal. \u201cHoje, com o sistema de brincos, o animal precisa ser contido no m\u00ednimo de tr\u00eas a quatro vezes na vida dele. Tem que prender para colocar, depois para ler os dados. Isso causa estresse nos animais e pode machuc\u00e1-los.\u201d<\/p>\n<p>Outro risco \u00e9 a ocorr\u00eancia de enfermidades pela pr\u00f3pria coloca\u00e7\u00e3o dos brincos. \u201cUma mosca pode pousar e levar larvas para a regi\u00e3o. A\u00ed voc\u00ea tem que curar. O sistema por imagens traria vantagens imensas\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>A expectativa de Barros \u00e9 que os dados captados por imagens possam ter efeitos comerciais, j\u00e1 que permitiriam uma rastreabilidade com informa\u00e7\u00f5es precisas sobre cada bovino. \u201cImagine uma maneira de voc\u00ea saber quando aquela vaca pariu, quando desmamou, os cuidados que foram tomados com ela. Eu gostaria muito de ter esse sistema na minha fazenda\u201d, relata o pecuarista.<\/p>\n<p>A \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o do produtor \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao custo de instala\u00e7\u00e3o do sistema de c\u00e2meras. \u201cImagino que n\u00e3o deve ser muito barato, mas tem que ter funcionalidade\u201d, diz. Mesmo assim, para ele, a identifica\u00e7\u00e3o por imagens teria \u201ctantas vantagens que nem d\u00e1 para descrever\u201d.<\/p>\n<p><strong>TECNOLOGIA<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa que est\u00e1 desenvolvendo a identifica\u00e7\u00e3o de animais por imagens faz parte do projeto Pecu\u00e1ria do Futuro, coordenado pela Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste. De acordo com a pesquisadora\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/303815\/patricia-menezes-santos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Patr\u00edcia Menezes Santos<\/a>, l\u00edder do projeto, a identifica\u00e7\u00e3o de animais por meio de imagens ir\u00e1 permitir que o produtor tenha um controle melhor do rebanho, de sua localiza\u00e7\u00e3o na propriedade e, consequentemente, do manejo do pastejo. \u201cEla poder\u00e1 ser adotada de forma isolada ou em conjunto com outras tecnologias em desenvolvimento pelo projeto, dependendo dos problemas que o produtor precisa resolver\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com Patr\u00edcia, a aplica\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o aos sistemas de produ\u00e7\u00e3o de gado de corte poder\u00e1 nos ajudar a construir uma pecu\u00e1ria mais sustent\u00e1vel, atendendo aos anseios dos consumidores e da sociedade em geral.<\/p>\n<p><strong>FUTURO<\/strong><\/p>\n<p>O Projeto Pecu\u00e1ria do Futuro tem o objetivo de desenvolver ferramentas de suporte \u00e0 decis\u00e3o em sistemas de produ\u00e7\u00e3o de gado de corte no Brasil Central. As ferramentas que est\u00e3o sendo desenvolvidas foram definidas a partir de levantamentos de demandas reais dos produtores.<\/p>\n<p>O aplicativo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/4050\/pastocerto---aplicativo-com-o-catalogo-das-cultivares-de-forrageiras-tropicais-da-embrapa-e-de-dominio-publico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pasto Certo<\/a>, por exemplo, permite que t\u00e9cnicos e produtores acessem de forma f\u00e1cil informa\u00e7\u00f5es sobre as principais forrageiras dispon\u00edveis no Brasil e ajuda as pessoas a escolherem o que plantar em sua propriedade. Tamb\u00e9m est\u00e3o sendo desenvolvidas ferramentas para ajudar o produtor a planejar a produ\u00e7\u00e3o de forragem na fazenda e a manejar melhor o pasto.<\/p>\n<p>\u201cEssas ferramentas ir\u00e3o permitir que o produtor fa\u00e7a um diagn\u00f3stico da necessidade de interven\u00e7\u00e3o nos pastos e estime a quantidade de capim a partir de imagens de sat\u00e9lite ou de drone\u201d, detalha a pesquisadora. Com o uso de modelos matem\u00e1ticos, ele tamb\u00e9m poder\u00e1 projetar a oferta e a demanda por alimentos na fazenda ao longo do ano, e verificar as melhores op\u00e7\u00f5es em termos de produ\u00e7\u00e3o de forragem para o seu sistema de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m est\u00e1 desenvolvendo solu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para o Pantanal, como sistema de alerta para cheias e inc\u00eandios e ferramenta para orientar decis\u00f5es quanto ao uso de pastagens ex\u00f3ticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A pecu\u00e1ria do futuro j\u00e1 est\u00e1 fazendo experimentos para tornar vi\u00e1vel a identifica\u00e7\u00e3o individual de animais no campo com o uso de imagens, o que tornar\u00e1 obsoletos os brincos, as tatuagens e as marca\u00e7\u00f5es usadas para esse fim. A tecnologia \u00e9 similar \u00e0 de reconhecimento facial, empregada em grandes aeroportos para encontrar criminosos. 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