{"id":337734,"date":"2021-05-26T14:07:44","date_gmt":"2021-05-26T18:07:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=337734"},"modified":"2021-05-26T14:07:44","modified_gmt":"2021-05-26T18:07:44","slug":"artigo-a-violencia-musical-contra-mulher-naturalizada-na-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2021\/05\/26\/artigo-a-violencia-musical-contra-mulher-naturalizada-na-sociedade\/","title":{"rendered":"ARTIGO: a viol\u00eancia musical contra mulher naturalizada na sociedade"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_337735\" aria-describedby=\"caption-attachment-337735\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-337735\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/fone-de-ouvido-mp3-musica-ipod-original-300x169.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/fone-de-ouvido-mp3-musica-ipod-original-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/fone-de-ouvido-mp3-musica-ipod-original-600x339.jpeg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/fone-de-ouvido-mp3-musica-ipod-original.jpeg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-337735\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ilustrativa<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTudo que \u00e9 perfeito a gente pega pelo bra\u00e7o, joga ela no meio, mete em cima, mete em baixo. Depois de nove meses voc\u00ea v\u00ea o resultado\u201d, essa frase, da m\u00fasica do grupo de ax\u00e9 \u2018\u00c9 o Tchan&#8217;, serve como comprova\u00e7\u00e3o de que a naturaliza\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es com abordagens abusivas \u00e9 normalizada e aceita pela sociedade, e isso desde d\u00e9cadas atr\u00e1s, e que tal realidade n\u00e3o se aplica apenas aos g\u00eaneros musicais atuais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse cen\u00e1rio tem origem e persist\u00eancia ineg\u00e1vel do machismo estrutural presente nas suas mais variadas formas, j\u00e1 que letras como essa s\u00e3o abertamente cantadas por cidad\u00e3os brasileiros, independente de idade, sem uma an\u00e1lise da problem\u00e1tica da mensagem que o artista transmite. Juntamente a essa realidade, contribuem para a viola\u00e7\u00e3o, por meio musical da mulher, uma sociedade que consome esse produto e a identifica\u00e7\u00e3o por parte da popula\u00e7\u00e3o masculina.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 evidente que uma sociedade que consome letras abusivas sem perceber, junto com o machismo estruturado, contribuem para a persist\u00eancia das agress\u00f5es musicais contra a mulher. Isso ocorre porque letras depreciativas s\u00e3o relevadas por conta do ritmo da m\u00fasica, j\u00e1 que para um grupo de pessoas curtirem, \u00e9 mais interessante ouvirem uma m\u00fasica com um <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">beat <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">pesado e uma letra subliminar, do que outra em que a letra \u00e9 predominantemente respeitosa, mas com um ritmo ameno. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNingu\u00e9m vai sair violentando mulheres s\u00f3 porque escuta essa m\u00fasica\u201d, s\u00e3o palavras de homens que consomem esses sons abusivos, mas o questionamento \u00e9 se esse homem realmente sabe respeitar uma mulher, j\u00e1 que ao mesmo tempo em que canta viol\u00eancia expl\u00edcita sabendo que \u00e9 errado, nada garante que ele n\u00e3o reproduza viol\u00eancia impl\u00edcita e releve esse seu abuso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, a identifica\u00e7\u00e3o de ouvintes com essas m\u00fasicas, junto com um estrutural machista, favorece a continuidade das mensagens agressivas. Isso acontece porque muitas pessoas, predominantemente homens, se identificam com os acontecimentos das letras musicais, que muitas das vezes tamb\u00e9m s\u00e3o escritas por outros homens e que provavelmente passaram pelas experi\u00eancias abusivas contadas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa identifica\u00e7\u00e3o favorece o mercado que usa dessa forma musical, j\u00e1 que h\u00e1 um consumo excessivo pelos ouvintes que veem a mulher como submissa e inferior. Esse fato \u00e9 comprovado pela pesquisa de Tobias Greitemeyer em 2015, na \u00c1ustria, na qual foram apresentados dados que mostraram que as letras machistas podem refor\u00e7ar o comportamento agressivo de um homem contra a mulher, pois, conforme a pesquisa, eles tendiam a expressar mais desejos de vingan\u00e7a quando estavam ouvindo m\u00fasicas machistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desse modo, sabe-se que a mensagem musical que agride a mulher baseia-se no estrutural machista em que se vive durante todos os anos. Sendo assim, para solucionar esse quadro, \u00e9 necess\u00e1rio que o Legislativo elabore um projeto de Lei, a ser votado no Congresso, a fim de punir artistas e produtoras que lancem m\u00fasicas com letras de teor agressivo e objetificante da mulher, mediante den\u00fancias p\u00fablicas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, devem\u00a0 ser multados todos os que propagam viol\u00eancia contra o g\u00eanero feminino em suas letras, al\u00e9m de ser obrigat\u00f3ria a retirada da m\u00fasica das plataformas. Al\u00e9m disso, \u00e9 de responsabilidade individual a autocr\u00edtica e avalia\u00e7\u00e3o de cada cidad\u00e3o sobre as m\u00fasicas que escreve, escuta e a forma como ela molda a pr\u00f3pria identidade, o comportamento, e principalmente as a\u00e7\u00f5es com as mulheres da sociedade, onde a luta pela igualdade ainda est\u00e1 bem longe de ter um descanso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Valeska Maria Ferreira Galv\u00e3o, aluna do 3\u00ba ano do curso t\u00e9cnico em agropecu\u00e1ria integrado, Ifro-campus Colorado do Oeste<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cTudo que \u00e9 perfeito a gente pega pelo bra\u00e7o, joga ela no meio, mete em cima, mete em baixo. 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