{"id":386612,"date":"2023-01-23T11:17:32","date_gmt":"2023-01-23T15:17:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=386612"},"modified":"2023-01-23T20:40:28","modified_gmt":"2023-01-24T00:40:28","slug":"refugiado-venezuelano-mora-na-rodoviaria-de-vilhena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2023\/01\/23\/refugiado-venezuelano-mora-na-rodoviaria-de-vilhena\/","title":{"rendered":"Refugiado venezuelano mora na rodovi\u00e1ria de Vilhena"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_386613\" aria-describedby=\"caption-attachment-386613\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-386613 size-medium\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Refugiado-venezuelano-300x205.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Refugiado-venezuelano-300x205.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Refugiado-venezuelano-600x410.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Refugiado-venezuelano-218x150.jpg 218w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Refugiado-venezuelano-615x420.jpg 615w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Refugiado-venezuelano.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-386613\" class=\"wp-caption-text\">Aldrey com sua B\u00edblia insepar\u00e1vel\/Foto: J\u00falio Olivar<\/figcaption><\/figure>\n<p>Domingo, 22 de janeiro, 11h25. O venezuelano Aldrey Martinez Veles, 47 anos, est\u00e1 na rodovi\u00e1ria de Vilhena (sul de Rond\u00f4nia), parece inquieto e se aproxima educadamente dizendo que gostaria de falar comigo. Ou\u00e7o-o.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 refugiado no Brasil, foge da crise pol\u00edtica sem precedentes que avassala seu pa\u00eds de origem. Faz parte de uma legi\u00e3o de compatriotas que vivem em Rond\u00f4nia \u2014 e em outros estados pa\u00eds afora. Sem refer\u00eancias por\u00a0 aqui, o homem que chegou sozinho a Amaz\u00f4nia Ocidental vive h\u00e1 mais de dois meses na esta\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sempre segurando uma B\u00edblia, muito falante e esclarecido, com respostas r\u00e1pidas e precisas, Aldrey conta sua aventura de viver. Emocionado, mas com semblante seguro,\u00a0 diz que andou a p\u00e9 durante quatro meses desde a sua cidade, San Antonio del T\u00e1chira, na Venezuela. Em sua \u2018via crucis\u2019, passou pela Col\u00f4mbia, Equador e Peru at\u00e9 chegar a Assis Brasil [munic\u00edpio acriano na fronteira com o Peru e Bol\u00edvia].<\/p>\n<p>O Acre tem sido, na \u00faltima d\u00e9cada, o portal de entrada de imigrantes ao Brasil. Principalmente haitianos, que\u00a0 cruzam a Ponte da Integra\u00e7\u00e3o Brasil-Peru, tamb\u00e9m conhecida como Ponte Internacional sobre o Rio Acre, que conecta as cidades de Assis Brasil e I\u00f1apari.<\/p>\n<p>Aldrey chegou ao Brasil por este caminho. Trazendo na mochila apenas duas cal\u00e7as e quatro camisas, al\u00e9m de um celular. \u201cEu apanhei durante a caminhada da pol\u00edcia colombiana que me obrigou a assinar pap\u00e9is em branco. Fui amea\u00e7ado, ironizado e agredido quando eu disse que era evang\u00e9lico\u201d, afian\u00e7a o homem.<\/p>\n<p>Logo que chegou ao Brasil, saiu do Acre \u2014 que tem um dos piores \u00edndices nacionais de empregabilidade \u2014 embarcou de carona para Porto Velho (RO). Para sobreviver na capital rondoniense, trabalhou como servente de pedreiro e vendeu balas nos sem\u00e1foros.<\/p>\n<p>Orientando que em Vilhena \u2014 que tem fama de ser uma cidade rica, com o segundo IDH do Estado \u2014 conseguiria emprego com mais facilidade, arranjou uma passagem de \u00f4nibus e para c\u00e1 veio, h\u00e1 mais de dois meses. Segundo ele, aqui viveu os momentos mais duros de humilha\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o e at\u00e9 amea\u00e7as de morte.<\/p>\n<p>De sua carteira, ele saca uma s\u00e9rie de pap\u00e9is com anota\u00e7\u00f5es e documentos. Inclusive, um boletim de ocorr\u00eancia policial datado de 18 de novembro de 2022, em que alega ter sido maltratado em Vilhena. Segundo consta do BO, Aldrey foi agredido \u201cat\u00e9 com uma cuspida na cara\u201d por pessoas ligadas a uma igreja evang\u00e9lica. Ele alega ter sido rejeitado no templo. As motiva\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o bem esclarecidas.<\/p>\n<p>Aldrey disse que \u00e9 graduado em administra\u00e7\u00e3o de empresas, filho de pastor evang\u00e9lico e apto a trabalhar\u00a0 em constru\u00e7\u00e3o civil. \u201cEu tenho a B\u00edblia como escudo. Deus me inspirou a sair da Venezuela e retirar-me ao Brasil, por isso vim. Deixei m\u00e3e [o pai j\u00e1 \u00e9 falecido] e irm\u00e3os para tr\u00e1s. Aqui [em Vilhena] cheguei a trabalhar como frentista, mas fui dispensado em uma semana, atualmente durmo em um banco na rodovi\u00e1ria e tomo banho quando posso\u201d, narra.<\/p>\n<p>\u201cFui v\u00edtima de extors\u00e3o, inj\u00faria e amea\u00e7a, pela minha simples presen\u00e7a aqui. Disseram que eu sou venezuelano vagabundo e que como carne de cachorro\u201d, garante.\u00a0 A impress\u00e3o que se tem, com base no que Aldrey fala, \u00e9 que ele foi v\u00edtima, tamb\u00e9m, de intoler\u00e2ncia pol\u00edtica. Ele chegou \u00e0 cidade no \u00e1pice das manifesta\u00e7\u00f5es bolsonaristas que contestavam o resultado das elei\u00e7\u00f5es presidenciais \u2014 em que Lula (PT) venceu, oficialmente\u00a0 \u2014 e a Venezuela era citada o tempo todo como um paradigma entre os pa\u00edses comunistas do mundo.<\/p>\n<p>\u201cTalvez, tenham me confundido. Eu sa\u00ed da Venezuela. N\u00e3o pretendo voltar. E n\u00e3o tenho culpa pelas decis\u00f5es pol\u00edticas. Estou lutando apenas para sobreviver\u201d, desabafa o refugiado que personifica \u201cAs veias abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d [t\u00edtulo do livro de 1971 de Eduardo Galeano].<\/p>\n<p>O pobre homem est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea da sorte, despossu\u00eddo inclusive de p\u00e1tria. Come o que lhe d\u00e3o. A dor maior, diz, \u00e9 sentir-se pouco acolhido. \u201cEu vou a uma igreja aqui em Vilhena. Sou evang\u00e9lico. Mas falta afeto. Estou s\u00f3 e com sintomas de depress\u00e3o\u201d, afirma, explicando que n\u00e3o obteve a ajuda de nenhum \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico no munic\u00edpio para lhe dar algum encaminhamento na \u00e1rea social.<\/p>\n<p>\u201cEu queria ficar aqui em Vilhena, ter algum meio para sobreviver. Diz a B\u00edblia que a gente tem que se reerguer onde foi humilhado; eu fui e sou muito humilhado aqui em Vilhena. Mas, talvez, eu embarque para S\u00e3o Paulo. L\u00e1 pode haver mais oportunidades\u201d, reflete.<\/p>\n<p>Vilhena \u00e9 a cidade com mais igrejas evang\u00e9licas em todo o Estado \u2014 segundo dados do IBGE. Seria t\u00e3o dif\u00edcil assim para Aldrey, conhecedor da Palavra de Deus e que se diz \u201cenviado\u201d, ser acolhido na cidade entre as comunidades evang\u00e9licas?<\/p>\n<p>\u201cEu vejo preconceito. Al\u00e9m da minha nacionalidade, tive outros problemas antigos e que morreram no passado. J\u00e1 me envolvi com drogas, mas estou limpo de coca\u00edna h\u00e1 cinco anos. N\u00e3o devo nada \u00e0 justi\u00e7a e estou recome\u00e7ando minha hist\u00f3ria apegado \u00e0 B\u00edblia e a Deus. Mere\u00e7o uma oportunidade\u201d.<\/p>\n<p>Aldrey Veles est\u00e1 incomunic\u00e1vel, pois teve que vender seu smartphone para poder comer.\u00a0 Quem\u00a0 quiser falar com ele \u2014 e quem sabe ajud\u00e1-lo \u2014 ter\u00e1 que ir at\u00e9 seu endere\u00e7o circunstancial. Isso at\u00e9 a pr\u00f3xima parada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_386614\" aria-describedby=\"caption-attachment-386614\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-386614 size-large\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/002-1-600x450.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/002-1-600x450.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/002-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/002-1-80x60.jpg 80w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/002-1-265x198.jpg 265w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/002-1-560x420.jpg 560w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/002-1.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-386614\" class=\"wp-caption-text\">Foto: J\u00falio Olivar<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_386615\" aria-describedby=\"caption-attachment-386615\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-386615 size-large\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/25802c83-f2f6-4390-977d-e9dc515cb745-600x544.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"544\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/25802c83-f2f6-4390-977d-e9dc515cb745-600x544.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/25802c83-f2f6-4390-977d-e9dc515cb745-300x272.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/25802c83-f2f6-4390-977d-e9dc515cb745-463x420.jpg 463w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/25802c83-f2f6-4390-977d-e9dc515cb745.jpg 662w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-386615\" class=\"wp-caption-text\">Foto: J\u00falio Olivar<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo, 22 de janeiro, 11h25. 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