{"id":394436,"date":"2023-05-01T12:55:38","date_gmt":"2023-05-01T16:55:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=394436"},"modified":"2023-05-02T10:29:52","modified_gmt":"2023-05-02T14:29:52","slug":"dos-seringais-aos-dias-de-hoje-rondonia-resulta-da-forca-do-trabalho-dos-anonimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2023\/05\/01\/dos-seringais-aos-dias-de-hoje-rondonia-resulta-da-forca-do-trabalho-dos-anonimos\/","title":{"rendered":"Dos seringais aos dias de hoje, Rond\u00f4nia resulta da for\u00e7a do trabalho dos an\u00f4nimos"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_394437\" aria-describedby=\"caption-attachment-394437\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-394437 size-medium\" src=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/761ca3a8-00ce-4027-85c3-791ce5da7ace-300x209.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/761ca3a8-00ce-4027-85c3-791ce5da7ace-300x209.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/761ca3a8-00ce-4027-85c3-791ce5da7ace-600x418.jpg 600w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/761ca3a8-00ce-4027-85c3-791ce5da7ace-100x70.jpg 100w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/761ca3a8-00ce-4027-85c3-791ce5da7ace-603x420.jpg 603w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/761ca3a8-00ce-4027-85c3-791ce5da7ace.jpg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-394437\" class=\"wp-caption-text\">Soldados da borracha deixam o Cear\u00e1 com destino a Amaz\u00f4nia\/Foto: Iconografia<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) completa 80 anos hoje, Dia dos Trabalhadores. Mas, 50,4% dos rondonienses n\u00e3o t\u00eam a emblem\u00e1tica carteira azul.<\/p>\n<p>O percentual garante a Rond\u00f4nia a 11\u00aa posi\u00e7\u00e3o nacional entre os estados com mais pessoas atuando na informalidade. Segundo o IBGE, o \u00edndice local \u00e9 alto: 10,4% a mais do que a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Quem atua nesta condi\u00e7\u00e3o, mesmo tendo ganhos que garantem sua sobreviv\u00eancia, n\u00e3o tem direitos trabalhistas, como f\u00e9rias, 13\u00ba sal\u00e1rio, Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) ou benef\u00edcios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como aux\u00edlio-doen\u00e7a, sal\u00e1rio maternidade, e Seguro-Desemprego.<\/p>\n<p><strong>ALTERNATIVA<\/strong><\/p>\n<p>Mari\u00e2ngela Bastos Ferreira \u00e9 dom\u00e9stica. Nascida no Nordeste, mora no centro de Vilhena (sul de Rond\u00f4nia) em um apartamento alugado, tem 42 anos, e a filha 5. Depois de quatro anos trabalhando com registro em carteira, perdeu o emprego em 2021, no auge da pandemia da Covid-19. Abriu uma empresa na categoria MEI (microempreendedor Individual), \u201ccom medo de n\u00e3o ter como se aposentar\u201d, e trabalha como diarista.<\/p>\n<p>Ela faz parte de uma legi\u00e3o de pessoas na mesma condi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os novos tempos das rela\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cEu j\u00e1 nem busco mais ter carteira assinada. Est\u00e1 muito dif\u00edcil\u201d, atesta.<\/p>\n<p>Os valores mensais da contribui\u00e7\u00e3o MEI de 2023 s\u00e3o: R$ 67,00 para com\u00e9rcio ou ind\u00fastria. N\u00e3o garante direito ao PIS (Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social), do governo federal, afinal, esse benef\u00edcio \u00e9 um abono salarial anual destinado aos trabalhadores sob regime de CLT.<\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p>Foi no 1\u00ba de maio de 1943 que o presidente da Rep\u00fablica, Get\u00falio Vargas, sancionou a CLT. Coincide com o ano da cria\u00e7\u00e3o [em setembro], tamb\u00e9m por Vargas, do Territ\u00f3rio Federal do Guapor\u00e9 \u2014 embri\u00e3o administrativo do estado de Rond\u00f4nia. Vivia a localidade da for\u00e7a de um tipo de trabalho que, pelos par\u00e2metros atuais, poderia ser considerado an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o: o 2\u00ba Ciclo da Borracha.<\/p>\n<p><strong>DESDE O COME\u00c7O<\/strong><\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia do Acordo de Washington, de 1942, trabalhadores, em sua maioria nordestinos, conhecidos como \u201csoldados da borracha\u201d, foram tapeados pelo Governo Federal com a promessa de retorno \u00e0s suas terras ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. Restaram abandonados ou vitimados por doen\u00e7as tropicais e a viol\u00eancia na Floresta. Foram, inclusive, escravizados em plena Rep\u00fablica, com o aval do Estado.<\/p>\n<p>Cerca de 60 mil foram os seringueiros arregimentados e trazidos para atuais estados da Amaz\u00f4nia para extrair o l\u00e1tex, entre 1941 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Quem mais lucrou com isso foram os Estados Unidos, que necessitavam do insumo por causa da guerra. Quando o conflito acabou, a extra\u00e7\u00e3o de borracha decaiu e os \u201carig\u00f3s\u201d [como os trabalhadores tamb\u00e9m eram conhecidos] terminaram largados \u00e0 pr\u00f3pria sorte pelo \u201cpai dos pobres\u201d, Get\u00falio Vargas, que estava deixando o governo, e os que o sucederam.<\/p>\n<p>Tudo gera um reflexo. Uma gera\u00e7\u00e3o \u201cimita\u201d a outra. At\u00e9 hoje, \u00e9 no Norte do Brasil que est\u00e1 a maior parte dos trabalhadores que atuam na informalidade. O l\u00edder \u00e9 o Par\u00e1, com 61%, acompanhado por Amazonas (57,7%)\u2026<\/p>\n<p><strong>UM ESTADO NASCIDO PELAS M\u00c3OS DOS TRABALHADORES<\/strong><\/p>\n<p>Quando se fala em grandes obras que deram origem a Rond\u00f4nia \u2014 e n\u00e3o \u00e9 diferente em qualquer outro lugar do mundo \u2014 quem aparece como \u201cconstrutor\u201d \u00e9 o pol\u00edtico da vez. Quem construiu Bras\u00edlia? Juscelino Kubitscheck. N\u00e3o, n\u00e3o foi. Foi o indutor, o instigador, isso ele foi. E foi tamb\u00e9m um incans\u00e1vel trabalhador. Mas quem, efetivamente, constr\u00f3i \u00e9 quem pega no batente.<\/p>\n<p>No geral, trabalhadores viram apenas n\u00fameros. Em Rond\u00f4nia, h\u00e1 o registro de que cerca de 20 mil trabalhadores de 50 p\u00e1trias instalaram a Estrada de Ferro Madeira-Mamor\u00e9, que deu origem a Porto Velho. S\u00f3 n\u00fameros. N\u00e3o h\u00e1 nomes. At\u00e9 o cemit\u00e9rio com suas l\u00e1pides foi destru\u00eddo. S\u00f3 dos chefes e do \u201ctit\u00e3\u201d estadunidense Persival Farquhar h\u00e1 refer\u00eancias biogr\u00e1ficas. Ah, ainda n\u00e3o havia CLT entre 1907 e 1912, quando da constru\u00e7\u00e3o da ferrovia.<\/p>\n<p>E a BR-364 (ent\u00e3o BR-29)? Serpenteada em pleno selva, a partir de 1960, sua abertura empregou m\u00e3o de obra de trabalhares de muitas partes do pa\u00eds. Quantos? Destes, n\u00e3o h\u00e1 sequer precis\u00e3o de n\u00fameros.<\/p>\n<p>No 4 de julho daquele ano, quando a obra foi dada como inaugurada, foi JK aclamado [com justi\u00e7a pela idealiza\u00e7\u00e3o e determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica] ap\u00f3s derrubar a \u00faltima sapopema que impedia a passagem na rodovia que permitiu a onda migrat\u00f3ria que consolidou Rond\u00f4nia, vinda pela rodovia Bras\u00edlia-Acre.<\/p>\n<p>Na imprensa, falava-se do grande feito. Citavam JK, seu otimismo e coragem, e as construtoras que acorreram aos ideais progressistas do \u201cPresidente Bossa Nova\u201d. Mas e os trabalhadores acampados e desprotegidos em meio ao campo in\u00f3spito, distantes dos confortos e de direitos elementares?<\/p>\n<p>A CLT vigorava. Mas nem todos tinham carteira de trabalho. H\u00e1 not\u00edcias do uso de oper\u00e1rios ind\u00edgenas que recebiam, semanalmente, pelos servi\u00e7os prestados \u00e0s construtoras, sem mais garantias.<\/p>\n<p><strong>TRABALHADORES S\u00c3O TODOS<\/strong><\/p>\n<p>Aqui n\u00e3o se tira o m\u00e9rito dos trabalhadores de \u201cn\u00edveis mais elevados\u201d. Todos s\u00e3o fundamentais. Todos. O que se questiona \u00e9 que apenas os que comandam, idealizam ou financiam as a\u00e7\u00f5es acabam lembrados na hist\u00f3ria. \u00c9 um erro da hist\u00f3ria, e n\u00e3o dos seus protagonistas. N\u00e3o se fala em culpa.<\/p>\n<p>O sertanista Marechal Rondon \u2014 patrono de Rond\u00f4nia \u2014 sempre fez quest\u00e3o de registrar os nomes de seus camaradas, civis e militares. N\u00e3o deixava de exaltar os ind\u00edgenas que lhe serviam de guias na explora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. E recebiam por isso. Mas quem s\u00e3o eles na hist\u00f3ria que se escreveu e que se tornou oficial? Nomes, por favor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) completa 80 anos hoje, Dia dos Trabalhadores. Mas, 50,4% dos rondonienses n\u00e3o t\u00eam a emblem\u00e1tica carteira azul. O percentual garante a Rond\u00f4nia a 11\u00aa posi\u00e7\u00e3o nacional entre os estados com mais pessoas atuando na informalidade. 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