{"id":89459,"date":"2015-06-20T11:46:44","date_gmt":"2015-06-20T15:46:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.extraderondonia.com.br\/?p=89459"},"modified":"2015-06-20T11:47:04","modified_gmt":"2015-06-20T15:47:04","slug":"amor-amazonico-leia-na-coluna-de-ivanir-aguiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/2015\/06\/20\/amor-amazonico-leia-na-coluna-de-ivanir-aguiar\/","title":{"rendered":"\u201cAmor Amaz\u00f4nico\u201d; Leia na coluna de Ivanir Aguiar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ivanir-aguiar-222122-300x2652.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-89469\" src=\"http:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ivanir-aguiar-222122-300x2652-300x265.jpg\" alt=\"ivanir-aguiar-222122-300x265\" width=\"300\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ivanir-aguiar-222122-300x2652-300x265.jpg 300w, https:\/\/www.extraderondonia.com.br\/sistema\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ivanir-aguiar-222122-300x2652.jpg 380w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ent\u00e3o Girib\u00e9 amava Dod\u00f4ra que amava se exibir nos flutuantes e amava o desvario dos pescadores, dos que n\u00e3o tinham o que fazer, jogando carteado nas beiras, comendo peixe assado e cateto com farinha, porque a floresta \u00e9 m\u00e3e e o rio n\u00e3o deixa ningu\u00e9m morrer de fome.<\/p>\n<p>E todos se riam e mangavam do amor de Girib\u00e9 que vivia encolhido pelos cantos, com ci\u00fames dos caboclos que punham as m\u00e3os em cima de Dod\u00f4ra que se divertia rodando como bailarina pelos balan\u00e7os do flutuante, tomando tragos f\u00e1ceis num viver sem remorsos. Os malandros e proxenetas ent\u00e3o fizeram correr o boato de que Dod\u00f4ra estava amando o Girib\u00e9, galhofando dele.<\/p>\n<p>Girib\u00e9 encheu os peitos e ganhou a mata, gozando o amor amado, se entretendo do sentimento do mais puro prazer, enxergando cada cor do arco \u00edris nas pernas de ja\u00e7an\u00e3, no barulho das araras, nos esturrar da pintada, e as manh\u00e3s eram gotas de orvalho e o sol mais que um cristal de cachoeira, mas que um diamante escondido e do\u00eda mais que o canto do sabia, t\u00e3o doce estava a vida. T\u00e3o misteriosos s\u00e3o os rec\u00f4nditos do amor.\u00a0 Girib\u00e9 amava. Amava Dod\u00f4da que sorvia a vida nos por\u00f5es dos motores, nos furos e nos lagos, nos flutuantes e nos paran\u00e1s da Amaz\u00f4nia, largando suor, gemidos e sussurros nos escondidos do Kir\u00e9.<\/p>\n<p>Noite de lua cheia, tragos na venda do Josu\u00e9 e risos soltos na beirada do rio escuro que reflete a prata e o bronze aos infinitos, quando Girib\u00e9 v\u00ea vai chegando de chegar v\u00ea Dod\u00f4ra nos bra\u00e7os de nego Milonga e os caboclos se riem do amor de Girib\u00e9 que sente o fogo que estrala no terreiro passar para dentro do seu peito e explode como o esturro da on\u00e7a e fere com o espinho do capa-bode, fazendo a cabe\u00e7a rodopiar: fazendo nascer um Girib\u00e9 como nunca tinha sido, riscando o ter\u00e7ado no barro querendo estripar Nego Milonga, que nem se ligava e continuava fungando o cangote de Dod\u00f4ra enquanto Girib\u00e9 dava cordas ao desespero misturando suor com as lagrimas e o barro do rio, chamando Nego Milonga na faca e implorando a morte como recompensa.<\/p>\n<p>Quando Girib\u00e9 lhe riscou a lapiana no peito, foi que Nego Milonga sentiu a ferocidade do amor do tolo Girib\u00e9.<\/p>\n<p>-Arre\u00e9gua&#8230; Que tolo quer brigar!<\/p>\n<p>Nego Milonga arrancou da cinta a faca de cortar fumo e partiu pra cima do tolo, que negaceava a suava olhando com os olhos desvairados de \u00f3dio, rodando ao redor do Nego que inda ria um riso medroso, sentindo a gravidade do momento.<\/p>\n<p>Dod\u00f4ra correu como uma gata molhada para a seguran\u00e7a do balc\u00e3o do Josu\u00e9, espantando as galinhas que dormitavam em cima dos sacos de farinha, amedrontada, sentindo crescer uma beleza estranha naqueles tolos que crescia diante do temido Nego Bilunda, irradiando \u00f3dio, enamando o amor que sentia por ela.<\/p>\n<p>&#8211; Ai&#8230; Que me acertou o fio d\u2019uma \u00e9gua.<\/p>\n<p>Nego Milonga segurava a faca numa das m\u00e3os e as tripas com a outra.<\/p>\n<p>Com o diabo no couro partiu para cima de Girib\u00e9 e lhe cravou a pontuda debaixo do sovaco e Girib\u00e9 caiu e Nego Milonga se sentou em cima dele e com desespero de quem est\u00e1 morrendo, picou o corpo de Girib\u00e9 com a raiva de dem\u00f4nio e depois caiu para um lado.<\/p>\n<p>Os caboclos foram chegando em volta e algu\u00e9m lembrou de acender uma vela para cada um e o balan\u00e7o do flutuante foi serenando. As pessoas falando baixo formou-se um estranho cortejo para ir jogar no meio do kir\u00e9 os dois mortos, com a lua iluminando o jogando bronze na \u00e1gua e ent\u00e3o os p\u00e1ssaros e bichos fizeram um grande silencio.<\/p>\n<p>Dod\u00f4ra pode ver, antes que as piranhas do lago consumissem o corpo de Girib\u00e9, um sorriso triste que lhe sa\u00eda por entre os dentes sujos de sangue querendo dizer: \u201cmorri por te amar demais\u201d.<\/p>\n<p>Ivanir Aguiar \u00e9 jornalista e membro da Academia Vilhenense de Letras<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ent\u00e3o Girib\u00e9 amava Dod\u00f4ra que amava se exibir nos flutuantes e amava o desvario dos pescadores, dos que n\u00e3o tinham o que fazer, jogando carteado nas beiras, comendo peixe assado e cateto com farinha, porque a floresta \u00e9 m\u00e3e e o rio n\u00e3o deixa ningu\u00e9m morrer de fome. 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