A preparação começa cedo para deixar tudo pronto e o público começa a chegar a partir das 07h00. Após, esse horário o movimento não para de crescer a procura de uma verdura fresca e pastel quente acompanhado de um saboroso caldo de cana. Essa é uma rotina, que acompanha o cotidiano de muitos feirantes. A reportagem do Extra de Rondônia acompanhou de perto todo a preparação dos  quatro pioneiros neste segmento em uma das feiras realizada no Centro de Vilhena.

José Murilo de Oliveira 74, natural de Quixadá (CE), conta que começou sua vida de feirante em 1983, quando a primeira feira em Vilhena eram na Praça da Nossa Senhora Auxiliadora, vendendo caldo de cana e a esposa pastel. Depois o número de feirantes foi aumentando e mudou para a Avenida Major Amarante.

Seu Murilo como é chamado pelos colegas da feira, disse que com o tempo a freguesia foi aumentado e o lucro também, comprou um engenho de moer cana e um cilindro de fazer massa de pastel, acreditando no seu negócio. Em 1983 a feira muda definitivamente para a Avenida Leopoldo Peres, e as vendas só cresciam, foi aí que a família toda de seu Murilo começou a ajudar na feira. “Hoje meus genros e netos ajudam e a coisa acabou virando um negócio da família”, enfatizou o feirante.

José salienta que com as vendas do seu negócio nas feiras, comprou um sítio de 12 hectares onde planta as canas para a produção da garapa. O produtor também salientou que as despesas são grande. “Conforme o negócio vai crescendo despesa também aumenta, porém sempre estou aqui cedo vendendo minhas garapas, pastéis e tapiocas”.

Quem também contou sua história , foi  José Alexandre, 79, conhecido por “Zé Padeiro”. O produtor iniciou a vida de feirante em 1983, vendendo frutas e depois passou a vender flores e passarinhos.

Zé Padeiro disse que é analfabeto e só ele da família trabalha de feirante. Para Zé, a feira teve momentos bons. Porém dos anos 2000 as coisas foram ficando mais difíceis para o feirante.

Segundo José, vida de feirante não enriquece, só paga as despesas e desgasta. “Pois com o tempo a gente vai ficando velho, as forças ficam mais fracas. Mais dois anos eu pretendo parar e me dedicar a minha saúde”.

Elias da Silva, 82, é outro que trabalha na feira há cerca de  20 anos. Segundo ele antes de ser feirante, morava no sítio plantando suas mandiocas e milho, mas assim que sua esposa passou à ir feira vender os queijos, massa de tapioca e ovos caipiras, ele também resolveu trabalhar e nunca mais quis saber em voltar para o sítio.  

Seu Elias como é conhecido pelos colegas de feira, disse que as filhas começaram a ajudar e hoje elas são as que mais gostam de estar na feira vendendo. Para ele estar parado deixa a gente deprimido e doente. “Gosto sempre de estar fazendo alguma coisa, criei meus 10 filhos sempre trabalhando sem estar parado”, destacou Elias.

O mineiro José Gomes da Silva, 88, também é outro feirante pioneiro em Vilhena e disse que começou vendendo na feira, onde é hoje  o prédio do Banco do Brasil. O feirante conta que buscava frutas e verduras no Estado do Mato Grosso, e com o tempo comprou uma chácara para produzir suas próprias frutas vendendo a um preço mais acessível para freguesia.

José disse que só ele que é feirante, a esposa e as filhas não curtem, porém as incentiva a seguir na empreitada. Para Gomes a feira virou um hábito cada vez frequente das pessoas e isso tem fortalecido as feiras, e Vilhena se tornou uma cidade com feiras quase todos os dias.

“A Feira é uma tradição cultural da cidade e isso precisa ser conservado no Brasil”, realçou José.

José Murilo de Oliveira
José Alexandre
Elias da Silva
José Gomes da Silva

Texto e Fotos: Extra de Rondônia

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