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Victor Pernia mora há um mês na “Cidade Clima da Amazônia”

Victor ao lado da esposa Desiree Delgado, e os dois filhos

Mais de 40 mil venezuelanos buscaram o Brasil como refúgio para escapar da instabilidade política, da escassez de remédio e, principalmente, da fome.

O artesão Victor Pernia, 46 anos, é um dos milhares de venezuelanos que deixaram o país em busca de trabalho, paz e saúde para sua família. Ele mora há 1 mês em Vilhena e já conquistou várias amizades.

Ao Extra de Rondônia, Pernia disse que teve Vilhena como destino após ter referências de compatriotas que passaram pela “Cidade Clima da Amazônia”.

Ele conta que, assim que chegou à cidade, estacionou um veículo de sua propriedade – Volkswagen Kombi – no pátio do Posto Catarinense e conheceu o vilhenense Nilson, que lhe ajudou a procurar uma casa pequena para alugar.

Em poucos dias, conheceu pessoas que se solidarizaram com ele e sua família, ganhando donativos como cestas básicas, colchões, utensílios de cozinha, botijão de gás e uma geladeira. “Não sou de pedir nada a ninguém. Trouxe minha mercadoria para sobreviver, mas tenho que admitir que toda ajuda que recebo é útil. E agradeço a Deus por isto”, frisou.

Victor conta que no período que mora em Vilhena se adaptou ao clima e à cultura da cidade, tendo como dificuldade principal o idioma. Para ele, Vilhena é um paraíso comparando com seu país, que atravessa uma grave situação político-econômica.

PRODUTOS ARTESANAIS

Pernia conta que, após chegar a Vilhena, passou a procurar um ponto para comercializar os produtos artesanais que transporta no seu veículo, decidindo por “trabalhar” numa área próxima ao posto de combustível “Nacional” (antigo Cinta Larga), na avenida Marechal Rondon, em frente ao ponto de táxi.

“Neste momento conto apenas com R$ 15,00, de capital, e um dinheirinho que separei para o aluguel, que falta ainda completar. Tem dias que dá para vender, outros não. É desse jeito. Mas, se faltar, tentarei emprestar”, ressaltou.

 

MADURO ACABOU COM O PAÍS

Ao site, Pernia relatou o drama vivido na Venezuela. Disse que precisou sair do seu país que está tomado pela corrupção e pela falta de alimentos e trabalho.

“Chaves (ex-presidente) vendeu aos cidadãos um socialismo diferenciado, de prosperidade, e que seria um sistema político excelente no futuro. Mas com o tempo descobrimos que fomos enganados, e Venezuela está cada vez mais na miséria. Com (Nicolás) Maduro, ficou pior, ele acabou com o país”, complementou.

Com lágrimas, Victor relata que sente saudades da Venezuela e que no futuro gostaria de regressar. Mas acredita que a situação no seu país vai demorar em se resolver.

Para ele, na Venezuela, além de um dano econômico, ocorre um dano social e cultural muito grande que tardará em sanar. “Ninguém quer sair do seu país nessas condições, mas as pessoas têm que fazer isso. Não queria que meus filhos passassem por essa situação, mas sou grato a Deus e a todas as pessoas que me ajudaram desde que sai da Venezuela até minha chegada a Vilhena”, finalizou.

 

 

Texto: Extra de Rondônia (Petter Vargas)

Fotos: Extra de Rondônia

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