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Sandra Maíra e Cirone Deiró / Foto:: Divulgação

Na segunda-feira 13, o deputado Cirone Deiró recebeu um documento assinado por representantes dos médicos detalhando a gravidade da situação enfrentada pelos profissionais que atuam no Complexo Hospital de Cacoal.

A precariedade nas condições de trabalho para a assistência aos pacientes da Covid-19, e a interrupção na assistência médica aos pacientes, acometidos de outras patologias fazem parte dos relatos dos médicos.

Segundo consta no documento, a situação se agravou diante da improvisação nas medidas adotadas inicialmente, pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que suspendeu todos os demais atendimentos e transferiu de forma aleatória os profissionais para o setor de atendimento aos pacientes da Covid.

De acordo com os profissionais da saúde, o documento tem o propósito de formalizar os problemas que se arrastam desde a assistência aos primeiros pacientes da Covid no Complexo Hospitalar de Cacoal. Ocasião, em que os médicos já buscavam estabelecer um diálogo com a equipe da Sesau, responsável pelo Planejamento Estratégico aos pacientes da Covid.

Nesse sentido, uma reunião por vídeo conferência com o secretário chefe da casa Civil, Júnior Gonçalves, intermediada pelo deputado Cirone Deiró, foi realizada na última terça-feira 08 de julho, e contou com a presença de médicos que atuam no Complexo Hospitalar de Cacoal.

Durante a reunião, os representantes dos médicos, detalharam as dificuldades para atender as demandas dos pacientes graves com a Covid. Eles chamaram a atenção para o grande número de pacientes graves em tratamento na UTI para apenas um médico por plantão, realidade que segundo eles, compromete a assistência adequada a esses pacientes.

A precariedade das condições de serviços a que estão submetidos os profissionais de saúde e o desmonte da assistência a pacientes com outras patologias também esteve na pauta da reunião.

O secretário Júnior Gonçalves afirmou que já tinha recebido algumas demandas apresentadas pelo deputado Cirone Deiró. O chefe da casa civil disse que diante dos novos relatos precisava se inteirar do conjunto das reivindicações apresentadas, pelos médicos e que está à disposição para fazer a interlocução junto a Sesau.

O deputado Cirone Deiró avaliou como positiva o primeiro encontro dos médicos com o representante do governo, secretário Júnior Gonçalves.

PRINCIPAIS PROBLEMAS

A médica oncologista dermatológica do Hospital Regional, Sandra Maíra, explica que o complexo hospitalar de Cacoal que compõe a macro região II, e atende uma população de cerca de 850 mil habitantes, número que representa 53% da população rondoniense.

“No entanto, pelas dificuldades que temos enfrentado na rotina de trabalho constatamos que o Complexo Hospitalar de Cacoal ainda não se beneficiou das medidas previstas no Decreto Legislativo que reconheceu o estado de calamidade pública na saúde e assegurou a adoção de medidas estratégicas para o enfrentamento e tratamento da Covid”, afirmou.

De acordo com a médica Sandra Maíra, o que se constata até o momento é o desmonte dos serviços de saúde oferecidos a população, com a suspensão dos atendimentos nas especialidades médicas, fechamento da UTI pediátrica e redução dos leitos de UTIs adultos, destinados a pacientes que estejam em tratamentos de outras patologias.

“Nos sentimos abandonados nessa guerra. Os atendimentos que estão sendo realizados são resultado do esforço coletivo dos médicos e demais profissionais de saúde. Situação que não tem como se sustentar por mais tempo. Porque a sobrecarga de trabalho tem trazido prejuízos a saúde desses profissionais. Alguns profissionais já apresentam problemas de saúde em consequência dessa realidade”, lamentou, ao afirmar que o adoecimento dos médicos pela excessiva carga de trabalho já é uma realidade.

O documento entregue ao deputado Cirone Deiró faz um alerta sobre a ausência de investimentos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) no Complexo Hospital de Cacoal, em relação a contratação de profissionais e remuneração condizente com a responsabilidade que se exige dos médicos e profissionais que estão na linha de frente do tratamento aos pacientes da Covid.

Segundo consta no documento, foram remanejados para a assistência a pacientes da Covid, profissionais da pediatria, clinico geral e outros médicos que há anos, não atuam em UTI’s, onde o protocolo de cuidados aos pacientes são atualizados constantemente.

De acordo com o deputado Cirone Deiró, essa realidade trazida pelos médicos tem causado  perplexidade a população e provocado sérios transtornos aos profissionais da saúde que estão vivenciando as consequências da ausência  da Secretaria de Estado da Saúde em relação as necessidades de investimentos, contratação de profissionais e remuneração condizente com a responsabilidade que se exige dos médicos e profissionais de estão na linha de frente do tratamento aos pacientes da Covid.

“Há quatro meses estamos aguardando a Secretaria de Estado da Saúde adotar medidas urgentes para a contratação de profissionais da saúde com remuneração diferenciada para prestar assistência aos pacientes da Covid. Estamos em guerra contra um vírus com alta letalidade, é preciso remunerar de forma justa esses profissionais que estão na linha de frente”, justificou.

Segundo o documento entregue ao deputado Cirone Deiró, soma-se a falta de recursos humanos, falta de insumos, EPI’s e nem mesmo os investimentos em infraestrutura para atender essa demanda crescente de pacientes que necessitam de cuidados nas poucas UTIs que existem no Hospital Regional de Cacoal.

Consta ainda no documento, que essa realidade caótica se repete no Hospital de Urgência e Emergência (HEURO) onde os corredores estão sendo usados para manter o distanciamento de pacientes em tratamento da Covid.

Para o deputado Cirone Deiró, os fatos relatados comprovam que o peso da pandemia está única e exclusivamente sobre os ombros dos médicos e profissionais de saúde do Complexo Hospitalar de Cacoal.

“Profissionais esses, que estão sendo obrigados a ir para a guerra sem a segurança de estarem preparados para todos os riscos que envolvem o tratamento a Covid-19. Já que são médicos que estão há anos, atuando apenas nas clínicas médicas, a exemplo de pediatras, cardiologistas, cirurgiões, oncologistas e outros”, assinalou.

REIVINDICAÇÕES

1. Realizar os investimentos necessários na Macro II a exemplo de contratação de Hospital de Campanha, contratação suplementar da rede privada, e especialmente de RH;

2. Adoção de medidas para reestruturar os serviços do HEURO que está saturado e colapsado em razão do desmonte da maioria dos serviços do Hospital Regional;

3. Criação de quatro leitos de UTIs pediátricas no HEURO;

4. Fornecimento dos EPIs;

5.  Organização da estrutura física, investimentos em ar condicionado, condições de higiene;

6.  Valorização e melhores condições de trabalho para quem está na linha de frente na assistência aos pacientes da Covid;

7.  Atenção a outras doenças não erradicadas pelo Sars Cov 2;

8.  Retorno dos médicos para o atendimento de outras patologias;

9.  Pagamento dos salários desde o primeiro mês, considerando que atualmente está demorando até três meses para ser efetivado esse pagamento aos contratados emergenciais;

10. Realização de contratação específica para a assistência aos pacientes da Covid, com carga horário de 20 horas, e o pagamento de insalubridade compatível com os riscos a que estão expostos os profissionais da saúde que estão na linha de frente na assistência aos pacientes da Covid-19.   Em tempos de guerra é preciso valorizar o profissional que estará exposto a todos os riscos dessa pandemia.

11. Remuneração e carga horária diferenciada, somado ao pagamento de insalubridade, em conformidade com os riscos que a função exige. Consideramos que pela complexidade do Sars Cov 2, essas são condições essenciais para que esses profissionais acompanhem os estudos recentes sobre a evolução da doença, além de manter contato com a rede de profissionais que estão participando dessas pesquisas. Fato que vai contribuir para melhorar o protocolo de tratamento dos pacientes em Rondônia.

12.  A referida proposta busca atrair profissionais que venham de livre e espontânea vontade, para trabalhar no enfrentamento a Covid. O que infelizmente, não tem ocorrido, muito pelo contrário, têm sido designados profissionais que se declaram inaptos para a assistência aos pacientes da Covid.

13. Ofertar maior número de plantões especiais para todos os setores Covid. Ampliando a relação do número de médicos x pacientes graves. Assim, esses pacientes que exigem muita atenção do profissional da saúde, serão adequadamente assistidos. Os plantões extras vão dar segurança aos profissionais que terão um menor número de pacientes a serem assistidos. Pois, o grande número de pacientes graves é um dos maiores problemas do momento. Realidade que tem provocado preocupação e representa um risco: Não conseguir salvar a todos, e eventualmente serem responsabilizados a depender do caso. Soma-se a isso, o risco de o profissional desenvolver forma mais grave da doença, por estar com o seu sistema imune debilitado, em consequência da alta exposição a carga viral, e da extenuante carga horário de trabalho.

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